O mercado de petróleo inicia 2026 lidando com uma tensão já conhecida: riscos geopolíticos recorrentes em contraste com um mercado global estruturalmente bem abastecido. Embora os desdobramentos na Venezuela e no Irã tenham recolocado a segurança energética nos holofotes, os fundamentos seguem exercendo papel central na formação dos preços e na dinâmica de riscos.
Esta atualização resume os principais temas de mercado e suas implicações identificadas no Oil Market Update – January 2026 da Hedgepoint, elaborado por Tim Vince, Relationship Manager – Energy.
Superávit Estrutural de Oferta Limita o Potencial de Alta do Petróleo Bruto
Os balanços globais de petróleo bruto continuam pressionados pelo forte crescimento da produção fora da OPEP e pela redução gradual dos cortes de oferta da OPEP+. Esse superávit estrutural suavizou a curva futura e limitou a capacidade do mercado de sustentar movimentos de alta, mesmo em períodos de maior tensão geopolítica.
Como resultado, a volatilidade impulsionada por eventos tende a se dissipar rapidamente, com os preços retornando a fundamentos dominados pelo excesso de oferta.
Enquanto os preços do petróleo bruto permanecem lateralizados, os derivados contam uma história diferente. A gasolina (RBOB) e o óleo de aquecimento mostraram resiliência, com destaque para o diesel, impactado por restrições estruturais de oferta e interrupções em refinarias de importantes hubs exportadores no final de 2025.
As sanções que afetam os fluxos russos e iranianos apertaram ainda mais o mercado de destilados, levando os cracks spreads a máximas anuais e reforçando o valor relativo da exposição a derivados frente ao risco do preço flat do petróleo bruto.
Venezuela: Risco de Interrupção é Gerenciável — Por Enquanto
Os recentes desdobramentos na Venezuela colocam cerca de 400 kb/d de produção em risco. No entanto, os impactos no curto prazo parecem limitados.
Tradings licenciadas pelos EUA facilitaram o direcionamento do petróleo venezuelano para hubs de armazenamento no Caribe, ajudando a mitigar choques imediatos de oferta. Níveis elevados de armazenamento flutuante e o excedente de barris ácidos continuam funcionando como colchão para o mercado.
No longo prazo, um crescimento relevante da produção venezuelana exigiria investimentos significativos e tempo, com um horizonte mais realista além de 2027–2028. Qualquer flexibilização das sanções poderia liberar oferta adicional, redesenhando os fluxos de petróleo pesado — especialmente para compradores asiáticos como China e Índia.
O Irã permanece como um risco de cauda guiado por manchetes, com protestos e instabilidade macroeconômica elevando a incerteza em torno de exportações de até 1,5–2,0 mb/d. Embora nenhuma interrupção tenha se materializado até o momento, os riscos assimétricos persistem, incluindo um possível endurecimento das sanções ou, menos provável, seu relaxamento.
O Estreito de Ormuz segue como um fator de baixa probabilidade, porém de alto impacto.
Implicações de mercado para o gerenciamento de riscos
O ambiente atual reforça uma mensagem-chave: o risco geopolítico, por si só, não é suficiente para sustentar uma alta consistente de preços quando os fundamentos de superávit predominam. Para os participantes do mercado, isso destaca a importância de:
À medida que 2026 começa, os mercados de petróleo seguem definidos pelo equilíbrio entre geopolítica e fundamentos. Embora Venezuela e Irã mereçam atenção, o superávit de oferta continua ancorando os preços. Nesse contexto, os derivados — e não o petróleo bruto — oferecem as dinâmicas de risco-retorno mais atrativas.
Nesse contexto, contar com a inteligência de mercado da Hedgepoint é fundamental para antecipar tendências e aproveitar oportunidades no mercado de biocombustíveis, garantindo uma posição estratégica diante de mandatos e desenvolvimentos no setor de energia.
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