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Brasil deve impulsionar superávit global de café em 2026/27, aponta Hedgepoint

Escrito por Hedgepoint Global Markets | Mar 11, 2026 3:46:52 PM

 Após anos de aperto na oferta global de café, projeções indicam que o mercado pode caminhar para um cenário de superávit em 2026/27. A expansão da produção brasileira, combinada a condições climáticas mais favoráveis, pode contribuir para recompor estoques e influenciar a dinâmica de preços.  

 

No café, a análise é conduzida por Laleska Moda, analista de Inteligência de Mercado da companhia, responsável por acompanhar os fundamentos de oferta e demanda e os impactos climáticos sobre a produção global. 

Neste ano, a Hedgepoint Global Markets projeta uma safra robusta para o ciclo 26/27 no Brasil, impulsionada por chuvas oportunas em 2025 e pela ampliação da área produtiva. A produção nacional de arábica pode atingir entre 46,5 e 49 milhões de sacas, contribuindo para um esperado superávit global de café. 

Segundo Laleska, o clima desempenhou papel decisivo. “Apesar do atraso inicial, as chuvas chegaram na hora certa para garantir floradas consistentes. Mesmo com produtividade irregular, o volume total deve ser elevado e capaz de auxiliar na recomposição parcial dos estoques globais, hoje em níveis bastante baixos”, diz.  

A demanda doméstica segue favorecendo o uso de Conilon, dado o diferencial de preços e a arbitragem atual. 

 

Conilon mantém força apesar da queda de produtividade  

 

Para o Conilon/Robusta, embora haja redução natural após a safra recorde de 25/26, o aumento prévio de área e o clima favorável devem sustentar produção elevada. O movimento deve manter firme tanto a demanda interna quanto as exportações. 


Laleska reforça que o cenário continua favorável ao consumo do Robusta globalmente.  


“Os estoques internacionais de Robusta seguem apertados, e a arbitragem continua estimulando torrefadores a substituir arábica. O Brasil deve seguir na liderança desse abastecimento”, explica.  

 

Mercados internacionais: tarifas suspensas aliviam parte da pressão sobre preços 

 

A analista destaca que a suspensão recente das tarifas sobre o café arábica retira um dos principais fatores de alta vistos no final de 2025. Com isso, abre-se espaço para recuperação dos estoques americanos e pode auxiliar no aumento dos estoques certificados da ICE. 

“Com as tarifas suspensas, parte da pressão que vinha sustentando os preços diminui. Agora, o foco se volta quase integralmente ao desenvolvimento da safra brasileira — o principal fator de risco e de direção do mercado em 2026”, avalia Laleska. 

 

Preços devem seguir baixistas, mas com alta volatilidade  

 

Mesmo com tendência baixista para arábica e robusta devido à provável supersafra, a Hedgepoint alerta que o mercado continuará volátil. Estoques globais seguem baixos, produtores vendem em ritmo lento e qualquer choque climático pode reverter rapidamente a curva. 

 

“Estamos em um cenário que sugere preços mais baixos, mas ainda extremamente sensíveis. Qualquer alteração na oferta, seja no Brasil, Colômbia ou Vietnã, pode trazer movimentos bruscos ao mercado”, explica a analista.  

Mais recentemente, o aumento de tensões no Oriente Médio também trouxe novas dúvidas em relação ao abastecimento. “Com o Estreito de Ormuz fechado pelo Irã e os conflitos em andamento, embarcações estão ancoradas no Golfo Pérsico ou redirecionadas para outras rotas, enquanto também evitam o Canal de Suez, um ponto chave para o comércio marítimo de café.” aponta Moda.  

 

Risco climático permanece no radar: El Niño pode afetar 2026  

 

Modelos climáticos do IRI e NOAA indicam 50–60% de chance de El Niño no segundo semestre de 2026. O fenômeno pode impactar diversas origens:  

 

  • América Central: risco de menor chuva e redução da atividade de furacões 

  • Sudeste Asiático: possíveis perdas no Vietnã e Indonésia

  • Brasil: temperaturas mais altas e maior umidade no inverno, afetando colheita e pós-colheita 


    Para Laleska Moda, o risco climático é o elemento que traz alerta em relação à oferta. “O El Niño pode alterar a produtividade em origens-chave. Mesmo com uma boa safra no Brasil, o balanço global também irá depender do clima em diversas regiões produtoras.”   
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