Cana-de-açúcar: o impacto do pico da safra e da oferta global

Entenda como o pico da colheita da cana-de-açúcar no Centro-Sul e os riscos climáticos globais influenciam os preços e o mercado.

Hedgepoint Global Markets
Oct 5, 2026, 3:58:50 PM

 

O mercado global de açúcar passa por um momento de ajuste, em que fundamentos que oferecem suporte aos preços convivem com sinais de cautela vindos do mercado físico. No Centro-Sul do Brasil, a moagem tem se recuperado dos efeitos adversos do clima, mas o ATR e o mix açucareiro continuam pressionados, limitando o potencial de produção.

A estimativa de açúcar para a região foi reduzida para cerca de 38,5 milhões de toneladas, enquanto o superávit comercial global projetado caiu para apenas 175 mil toneladas. Ainda assim, os prêmios FOB em Santos permanecem modestos, sugerindo que a restrição de oferta ainda não se traduziu integralmente em demanda física mais forte.

 

Neste artigo, analisamos:

 

Panorama global e a pressão sobre a oferta no Hemisfério Norte

Agravamento das safras na Índia e na União Europeia

Além da oferta mais restrita no Centro-Sul do Brasil, o cenário global segue atento à produção mais fraca em importantes origens do Hemisfério Norte. Esse contexto contribuiu para a redução do superávit comercial global projetado para apenas 175 mil toneladas, deixando o mercado mais sensível a novas interrupções de oferta. Na Índia, o principal ponto de atenção são os rumores de uma nova rodada de cotas de importação concedidas pelo governo, que poderiam se tornar um fator decisivo especialmente durante o período de entressafra no Brasil.

 

O pico da colheita da cana-de-açúcar no Centro-Sul brasileiro

Moagem, rendimento industrial (ATR) e viés açucareiro

Os dados mais recentes indicam que a moagem de cana no Centro-Sul atingiu quase 52 milhões de toneladas, refletindo um ritmo operacional robusto na segunda quinzena de agosto. Ainda assim, os indicadores industriais seguem pressionados. O ATR permaneceu em 145 kg/t, cerca de 9 kg/t abaixo da média de cinco anos, enquanto o mix açucareiro ficou próximo de 52%, abaixo dos 54% observados na safra anterior, mesmo com o açúcar mantendo vantagem clara de preço em relação ao etanol.

Esse desempenho reforça a leitura de que o clima continua influenciando negativamente a recuperação do ATR e a composição da safra. A estimativa de produção de açúcar do Centro-Sul foi reduzida para cerca de 38,5 milhões de toneladas, e o superávit comercial global projetado caiu para apenas 175 mil toneladas. Caso as chuvas persistam e continuem prejudicando o ritmo de moagem e a recuperação do ATR, novas revisões para baixo podem ser necessárias.

 

Demanda física e prêmios FOB Santos

Apesar do balanço mais apertado, os sinais do mercado físico ainda não confirmam integralmente uma restrição mais severa de disponibilidade. Os prêmios FOB em Santos permanecem relativamente modestos, levantando dúvidas sobre se os atrasos na produção e as revisões para baixo nas estimativas já se traduziram em menor oferta efetiva para exportação.

Esse ponto é relevante porque fundamentos mais restritos não necessariamente sustentam uma alta forte e contínua se a demanda permanecer moderada. A recente fraqueza dos prêmios FOB sugere que parte da alta anterior pode ter refletido mais o reposicionamento especulativo e o aperto esperado no balanço do que uma deterioração concreta da disponibilidade física.

 

Março de 2027 segue como o ponto mais favorável da curva

O contrato de março de 2027 continua se destacando como o ponto mais favorável da curva. A disponibilidade de açúcar no Centro-Sul do Brasil tende a ser limitada durante o período de entressafra, enquanto as perspectivas de produção nos principais países produtores do Hemisfério Norte permanecem abaixo da média. Essa combinação pode manter o mercado relativamente restrito ao longo do primeiro trimestre de 2027, oferecendo suporte aos contratos de curto prazo.

A partir do final de março, porém, a entrada gradual da nova safra brasileira deve aliviar as preocupações com disponibilidade e reduzir a pressão de alta sobre os contratos de julho de 2027 e os vencimentos seguintes, desde que não ocorram novas interrupções relevantes de oferta. Essa leitura também ajuda a explicar por que a estrutura atual de spreads já parece incorporar parte da recuperação esperada da oferta.

 

Acompanhe análises fundamentais no Hedgepoint Hub

Diante das incertezas no mercado global e das oscilações nos balanços da cana-de-açúcar, a leitura constante dos fundamentos é indispensável. Cadastre-se no Hedgepoint HUB para acompanhar nossas análises fundamentais sobre o mercado.

Posts Similares