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Clima na Argentina: impacto e volatilidade na safra de grãos

Escrito por Hedgepoint Global Markets | Mar 30, 2026 12:30:00 PM

 

O clima na Argentina em fevereiro é determinante para confirmar o sucesso ou fracasso do potencial produtivo do calendário agrícola de grãos da América do Sul. Esse período é considerado crítico devido ao estresse térmico e hídrico das lavouras.

Por isso, o mercado monitora cada previsão meteorológica, pois poucos dias de calor extremo podem destruir o rendimento esperado e disparar a volatilidade global. Neste artigo, veja uma análise detalhada sobre:

 

 

Boa leitura!

 

Por que fevereiro é o mês mais sensível para soja e milho?

 

O mês de fevereiro coincide com a fase de florescimento (R1–R2) e início da formação de vagens (R3) de grande parte da soja em produção. Enquanto isso, boa parte das áreas dedicadas à cultura do milho entra nos estágios de pendoamento, polinização e início do enchimento de grãos.

 

Essas etapas são extremamente sensíveis ao estresse hídrico e térmico, marcadas pela falta de chuva ou por poucos dias de calor extremo, condições que podem reduzir significativamente o potencial de rendimento das duas culturas.

 

Além disso, as temperaturas durante o período reprodutivo podem reduzir a fertilização das flores e o número final de grãos por planta. Enquanto a soja tende a ter maior capacidade de compensação, de acordo com a duração do estresse, o milho costuma reagir rapidamente e as perdas podem ocorrer em poucos dias de calor ou seca durante a polinização.

 

Clima na Argentina: condições atuais e risco produtivo

 

As principais regiões produtoras de soja e milho expostas que mais influenciam o mercado são as regiões do core belt argentino, principalmente Buenos Aires, Córdoba, Santa Fe e Entre Ríos, que juntas concentram cerca de 70–80% da produção nacional.

 

Mas o clima na Argentina não deve ser analisado isoladamente, pois também está conectado a três fatores:

 

  • Produção recorde no Brasil, responsável por compensar muitas vezes as perdas argentinas;
  • Fluxo de exportações da América do Sul, principal concorrente dos EUA no 1º semestre;
  • Nível global de estoques, que determina o quanto o mercado tolera uma quebra de safra.
  •  

Volatilidade na CBOT e o prêmio de risco climático

 

Os contratos de soja e milho na CBOT reagem principalmente a três fatores: às atualizações climáticas diárias, aos relatórios das bolsas argentinas (Rosario e Buenos Aires) e aos relatórios do USDA.

 

Dessa forma, quando as previsões climáticas indicam deterioração do clima, o mercado rapidamente incorpora um prêmio de risco climático, antecipando possíveis revisões na produção.

 

Se em janeiro ainda é relativamente cedo para estimar perdas definitivas na safra por causa do clima, em fevereiro a volatilidade é maior. Assim é possível medir o potencial produtivo dos grãos, momento em que o prêmio de risco entra com força nas cotações da COBOT.

 

Enquanto isso, março já reflete os danos consolidados, ajudando a reduzir o grau de incerteza. Esse cenário justifica a reação mais intensa do mercado em relação ao clima em fevereiro.

 

Quais eventos climáticos preocupam o mercado de commodities?

 

Existem três fatores principais que provocam preocupações relacionadas à volatilidade:

 

  • Estiagem e déficit hídrico: esse é o risco mais comum. Após períodos secos, em dezembro e janeiro, muitas regiões entram no mês de fevereiro com reservas de umidade limitadas no solo, deixando mais vulnerável o desenvolvimento das lavouras;
  • Ondas de calor: temperaturas próximas de 35°C a 40°C durante o período reprodutivo podem reduzir a fertilização das flores e o número final de grãos por planta;
  • Chuvas excessivas: precipitações de chuvas intensas, mesmo pouco frequentes nesse momento da safra, podem provocar encharcamento, doenças e atrasos no desenvolvimento.

 

Impactos das previsões e formação dos preços

 

As previsões climáticas de 7 a 15 dias passam a ter grande peso na formação dos preços das safras. Se os modelos indicam chuvas regulares, o mercado tende a reduzir o prêmio climático.

 

Se a previsão é de tempo quente e seco, as estimativas de produtividade caem e as cotações sobem. Normalmente, os contratos curtos (março/maio) reagem com maior rapidez às notícias climáticas.

 

Já os contratos longos (novembro/dezembro) refletem mais o balanço global de oferta e demanda. Isso significa que o impacto do clima na Argentina costuma aparecer primeiro no spread entre vencimentos.

 

Qual o papel da gestão de risco neste contexto?

 

Em períodos de alta volatilidade, como ocorre no mês de fevereiro, o timing é fundamental para produtores e consumidores alinharem decisões comerciais com a incerteza climática e, assim, se protegerem. Nesse sentido, o mercado costuma recorrer a três principais estratégias:

 

  1. Hedge com futuros: travamento de preços para proteger margens em caso de queda;
  2. Opções: estratégicas com calls ou puts que permitem proteger e manter a participação em movimentos favoráveis;
  3. Estruturas combinadas: como collars ou fences, muito usadas por indústrias e exportadores.

 

Além disso, é importante que os produtores tenham atenção aos erros mais frequentes no mercado, como:

 

  • Ignorar o papel do Brasil no balanço global;
  • Reagir de forma excessiva às previsões climáticas de curto prazo;
  • Deixar o hedge para depois do movimento de preços.

 

Sendo assim, a melhor abordagem costuma ser a estratégia escalonada para combinar vendas ou compras parciais, proteção com opções e acompanhamento constante das revisões de safra.

 

O que o mercado deve acompanhar?

 

Além da distribuição das chuvas na Argentina nos meses de fevereiro e março, é importante manter no radar o tamanho final da safra brasileira e a demanda global por milho e soja, especialmente a da China.

 

Se o clima continuar irregular no período reprodutivo dessas culturas, o mercado pode continuar incorporando prêmios climáticos nas cotações, mantendo a volatilidade elevada.

 

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Informação de qualidade e inteligência de mercado são essenciais para navegar pela volatilidade causada pelo clima na Argentina e pelas oscilações da CBOT. Na Hedgepoint, você encontra expertise técnica e ferramentas avançadas para transformar dados climáticos em decisões estratégicas de proteção financeira.

 

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