O clima na Argentina em fevereiro é determinante para confirmar o sucesso ou fracasso do potencial produtivo do calendário agrícola de grãos da América do Sul. Esse período é considerado crítico devido ao estresse térmico e hídrico das lavouras.
Por isso, o mercado monitora cada previsão meteorológica, pois poucos dias de calor extremo podem destruir o rendimento esperado e disparar a volatilidade global. Neste artigo, veja uma análise detalhada sobre:
Boa leitura!
O mês de fevereiro coincide com a fase de florescimento (R1–R2) e início da formação de vagens (R3) de grande parte da soja em produção. Enquanto isso, boa parte das áreas dedicadas à cultura do milho entra nos estágios de pendoamento, polinização e início do enchimento de grãos.
Essas etapas são extremamente sensíveis ao estresse hídrico e térmico, marcadas pela falta de chuva ou por poucos dias de calor extremo, condições que podem reduzir significativamente o potencial de rendimento das duas culturas.
Além disso, as temperaturas durante o período reprodutivo podem reduzir a fertilização das flores e o número final de grãos por planta. Enquanto a soja tende a ter maior capacidade de compensação, de acordo com a duração do estresse, o milho costuma reagir rapidamente e as perdas podem ocorrer em poucos dias de calor ou seca durante a polinização.
As principais regiões produtoras de soja e milho expostas que mais influenciam o mercado são as regiões do core belt argentino, principalmente Buenos Aires, Córdoba, Santa Fe e Entre Ríos, que juntas concentram cerca de 70–80% da produção nacional.
Mas o clima na Argentina não deve ser analisado isoladamente, pois também está conectado a três fatores:
Os contratos de soja e milho na CBOT reagem principalmente a três fatores: às atualizações climáticas diárias, aos relatórios das bolsas argentinas (Rosario e Buenos Aires) e aos relatórios do USDA.
Dessa forma, quando as previsões climáticas indicam deterioração do clima, o mercado rapidamente incorpora um prêmio de risco climático, antecipando possíveis revisões na produção.
Se em janeiro ainda é relativamente cedo para estimar perdas definitivas na safra por causa do clima, em fevereiro a volatilidade é maior. Assim é possível medir o potencial produtivo dos grãos, momento em que o prêmio de risco entra com força nas cotações da COBOT.
Enquanto isso, março já reflete os danos consolidados, ajudando a reduzir o grau de incerteza. Esse cenário justifica a reação mais intensa do mercado em relação ao clima em fevereiro.
Existem três fatores principais que provocam preocupações relacionadas à volatilidade:
As previsões climáticas de 7 a 15 dias passam a ter grande peso na formação dos preços das safras. Se os modelos indicam chuvas regulares, o mercado tende a reduzir o prêmio climático.
Se a previsão é de tempo quente e seco, as estimativas de produtividade caem e as cotações sobem. Normalmente, os contratos curtos (março/maio) reagem com maior rapidez às notícias climáticas.
Já os contratos longos (novembro/dezembro) refletem mais o balanço global de oferta e demanda. Isso significa que o impacto do clima na Argentina costuma aparecer primeiro no spread entre vencimentos.
Em períodos de alta volatilidade, como ocorre no mês de fevereiro, o timing é fundamental para produtores e consumidores alinharem decisões comerciais com a incerteza climática e, assim, se protegerem. Nesse sentido, o mercado costuma recorrer a três principais estratégias:
Além disso, é importante que os produtores tenham atenção aos erros mais frequentes no mercado, como:
Sendo assim, a melhor abordagem costuma ser a estratégia escalonada para combinar vendas ou compras parciais, proteção com opções e acompanhamento constante das revisões de safra.
Além da distribuição das chuvas na Argentina nos meses de fevereiro e março, é importante manter no radar o tamanho final da safra brasileira e a demanda global por milho e soja, especialmente a da China.
Se o clima continuar irregular no período reprodutivo dessas culturas, o mercado pode continuar incorporando prêmios climáticos nas cotações, mantendo a volatilidade elevada.
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