Custos agrícolas em foco: o que esperar da safra 2025/26?

Confira o panorama dos custos de produção agrícola para safra 2025/26, impactos macroeconômicos e estratégias para proteger a rentabilidade.

Hedgepoint Global Markets
Jan 8, 2026 11:50:41 AM

 

O custo de produção agrícola são um pilar cada vez mais estratégico para a gestão financeira no agronegócio. Esse indicador, que basicamente é composto pela soma de todos os valores “gastos” para produzir uma safra, auxilia no planejamento, controle de despesas, investimentos e na comercialização, tendo influência direta na rentabilidade agrícola. Por isso, a cada ciclo, é fundamental revisar a estrutura de custos e monitorar os fatores que podem influenciar a rentabilidade, como insumos agrícolas, crédito rural e câmbio.

 

O agronegócio brasileiro mantém seu papel de destaque na economia, com o Valor Bruto da Produção (VBP) alcançando R$ 1,31 trilhão na safra 2024/25, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária. Ainda assim, o setor convive com um ambiente de custos operacionais historicamente elevados.

 

Mesmo diante desse cenário desafiador, indicadores recentes apontam para um recuo no custo operacional de soja, milho e algodão em outubro de 2025, trazendo um leve alívio para as margens. Entender essa dinâmica é essencial para todos os agentes da cadeia produtiva, especialmente no planejamento de safras e na gestão de risco.

 

Neste texto, vamos abordar:

 

Boa leitura!

 

Qual é o panorama geral dos custos para a safra 2025/26?

 

O panorama para o ciclo 2025/26 indica um cenário de margens estreitas, onde a eficiência produtiva será fundamental para cobrir os custos totais, conforme projeções da CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária). 

 

Na soja, por exemplo, embora o Custo Operacional Efetivo (COE) médio tenha apresentado estabilidade entre as safras 2024/25 e 2025/26, a margem bruta projetada sofreu uma retração significativa, estimada em quase 48%, o que deve comprimir o ganho médio em polos produtivos como Mato Grosso, Paraná e Goiás. 

 

A produtividade mínima necessária para cobrir o Custo Total tende a superar a média histórica em diversas regiões, elevando o ponto de equilíbrio da operação. Em áreas de Goiás (GO), por exemplo, estimativas apontam a necessidade de 76 sacas por hectare para quitar o custo total, um volume superior à média local de 66 sacas. Já em Cascavel (PR), o ponto de equilíbrio pode chegar a 80 sacas por hectare, frente a uma produtividade média de 55 sacas.

 

Evolução dos custos operacionais de soja, milho e algodão

 

Apesar do cenário macro de custos elevados, os indicadores de outubro de 2025 do IMEA (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária), mostram uma tendência de recuo nos custos operacionais das principais culturas, como soja, milho e algodão. 

 

Variações nos custos operacionais regionais

 

Em Mato Grosso (MT), referência nacional de produção agrícola, o custo de produção de soja transgênica 2025/26 recuou de R$ 4.173,76 por hectare em setembro para R$ 4.158,80 em outubro. Este recuo foi impulsionado pela queda nos custos de fertilizantes e corretivos, que caíram de R$ 1.879,33/ha para R$ 1.779,63/ha, e pela redução nas sementes. Em sentido oposto, o gasto com defensivos avançou de R$ 1.225,64/ha para R$ 1.334,26/ha no período.

 

O milho segunda safra também apresentou uma queda consistente, passando de R$ 3.295,32/ha em setembro para R$ 3.280,40 por hectare em outubro, com redução em fertilizantes (de R$ 1.454,25/ha para R$ 1.395,34/ha) e defensivos. 

 

No mesmo sentido, o algodão de alta tecnologia registrou uma queda de R$ 10.769,75/ha em setembro para R$ 10.692,67 por hectare em outubro, com recuos generalizados em fertilizantes, defensivos e sementes.

 

Impacto no Custo Operacional Efetivo (COE)

 

Embora os itens de custeio direto tenham apresentado recuos, o Custo Operacional Efetivo (COE) não acompanhou essa redução de forma uniforme. O COE da soja, por exemplo, registrou aumento em outubro, pois a alta dos defensivos superou o recuo em fertilizantes. Já o milho e o algodão tiveram quedas no COE, indicando que o alívio dos insumos foi mais consistente. 

 

Esse comportamento reforça que, mesmo com a redução de alguns insumos variáveis, outros componentes do custo operacional continuam pressionando as margens do produtor.

 

Como o custo da safra se relaciona com a rentabilidade?

 

Embora tenha havido uma descompressão recente nos custos variáveis diretos em outubro, a métrica determinante para avaliar a viabilidade econômica de longo prazo é o Custo Total (CT) da safra. Sob essa perspectiva anual, o aumento dos custos nominais em reais é apenas parcialmente compensado pela produtividade. A comparação entre as safras 2024/2025 e 2025/2026 da soja ilustra essa dinâmica.

 

O custo total da soja por hectare passou de R$ 5.998,24/ha para R$ 6.115,83/ha, um avanço de 1,9%. Em termos relativos, porém, o custo por saca recuou de 51,27 para 50,97 sc/ha, queda de 0,6%. Esse movimento foi favorecido principalmente pelo ganho de produtividade (de 51,7 para 53 sc/ha) e pela valorização do preço médio projetado da saca, que subiu de R$ 117,00 para R$ 120,00.

 

A margem operacional estimada é de cerca de R$ 244,00 por hectare, correspondente a apenas 2,0% sobre o valor bruto da receita. Esta margem apertada evidencia que qualquer oscilação no preço de venda, na produtividade ou no câmbio pode rapidamente transformar o lucro em prejuízo.

 

Quais são os fatores macroeconômicos e de crédito que desafiam o setor agrícola nacional?

 

O setor agrícola segue pressionado por fatores estruturais, como a forte dependência de insumos importados, e por condições financeiras mais rígidas, especialmente nas linhas de crédito do Plano Safra, que intensificam a pressão sobre a rentabilidade.

 

  • Dependência de Insumos: O Brasil depende fortemente da importação de insumos. Os fertilizantes, por exemplo, correspondem a uma fatia aproximada de 25% a 30% do custo operacional agrícola. A volatilidade nos preços desses produtos impacta diretamente o custo de produção doméstico, tornando o produtor vulnerável ao câmbio e a conflitos geopolíticos.

  • Cenário de Crédito:  O Plano Safra 2025/2026 disponibilizou um volume recorde de R$ 516 bilhões em crédito. Contudo, as taxas de juros para linhas de custeio voltadas aos produtores chegam a 14% ao ano. Essa combinação de juros elevados com um custo elevado de insumos aumenta a pressão sobre o fluxo de caixa das propriedades e limita a capacidade de investimento.

Quais estratégias podem proteger a margem do produtor?

 

A combinação entre volatilidade de preços e custos de produção ainda elevados torna indispensável uma gestão de riscos mais estruturada no campo. Planejamento financeiro, acompanhamento constante dos custos e decisões baseadas em dados atualizados são pilares fundamentais para preservar a margem e garantir a viabilidade da atividade agrícola.

 

Nesse contexto, os instrumentos de hedge surgem como aliados estratégicos. Eles permitem fixar preços futuros de commodities ou insumos, reduzindo a exposição às oscilações do mercado físico e trazendo maior previsibilidade financeira. 

 

A Hedgepoint Global Markets oferece informações detalhadas do mercado de commodities agrícolas, aliadas a ferramentas de hedge que contribuem para uma gestão mais eficiente dos riscos no agronegócio. 

 

Entre em contato conosco e descubra como as nossas soluções podem ajudar a planejar a sua próxima safra com maior segurança e previsibilidade.


Este documento foi preparado pela Hedgepoint Global Markets LLC e suas afiliadas (“HPGM”) exclusivamente com fins informativos e instrucionais, não tendo o propósito de estabelecer obrigações ou compromissos à terceiros, nem a intenção de promover uma oferta, ou solicitação de oferta de compra ou venda de quaisquer valores mobiliários, futuros, opções, moedas e swap ou produtos de investimento. A Hedgepoint Commodities LLC (“HPC”), uma entidade de propriedade integral do HPGM, é uma Introducing Broker e um membro registrado do National Futures Association. A negociação de futuros, opções, moedas e swap envolve riscos significativos de perdas e pode não ser adequado para todos os investidores. Performance anterior não é necessariamente indicativo de resultados no futuro. Os clientes da Hedgepoint devem confiar em seu próprio julgamento independente e em consultores externos antes de entrar em qualquer transação que seja introduzida pela empresa. A HPGM e seus associados expressamente não se responsabilizam por qualquer uso das informações contidas neste documento que resulte direta ou indiretamente em danos ou prejuízos de qualquer tipo. Em caso de questionamentos não resolvidos por nossa equipe de atendimento ao cliente (client.services@hedgepointglobal.com), contate nosso canal de ombudsman interno  (ombudsman@hedgepointglobal.com) ou 0800-878 8408/ouvidoria@hedgepointglobal.com (somente para clientes no Brasil).



Posts Similares