
Confira o panorama dos custos de produção agrícola para safra 2025/26, impactos macroeconômicos e estratégias para proteger a rentabilidade.
O custo de produção agrícola são um pilar cada vez mais estratégico para a gestão financeira no agronegócio. Esse indicador, que basicamente é composto pela soma de todos os valores “gastos” para produzir uma safra, auxilia no planejamento, controle de despesas, investimentos e na comercialização, tendo influência direta na rentabilidade agrícola. Por isso, a cada ciclo, é fundamental revisar a estrutura de custos e monitorar os fatores que podem influenciar a rentabilidade, como insumos agrícolas, crédito rural e câmbio.
O agronegócio brasileiro mantém seu papel de destaque na economia, com o Valor Bruto da Produção (VBP) alcançando R$ 1,31 trilhão na safra 2024/25, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária. Ainda assim, o setor convive com um ambiente de custos operacionais historicamente elevados.
Mesmo diante desse cenário desafiador, indicadores recentes apontam para um recuo no custo operacional de soja, milho e algodão em outubro de 2025, trazendo um leve alívio para as margens. Entender essa dinâmica é essencial para todos os agentes da cadeia produtiva, especialmente no planejamento de safras e na gestão de risco.
Neste texto, vamos abordar:
Boa leitura!
O panorama para o ciclo 2025/26 indica um cenário de margens estreitas, onde a eficiência produtiva será fundamental para cobrir os custos totais, conforme projeções da CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária).
Na soja, por exemplo, embora o Custo Operacional Efetivo (COE) médio tenha apresentado estabilidade entre as safras 2024/25 e 2025/26, a margem bruta projetada sofreu uma retração significativa, estimada em quase 48%, o que deve comprimir o ganho médio em polos produtivos como Mato Grosso, Paraná e Goiás.
A produtividade mínima necessária para cobrir o Custo Total tende a superar a média histórica em diversas regiões, elevando o ponto de equilíbrio da operação. Em áreas de Goiás (GO), por exemplo, estimativas apontam a necessidade de 76 sacas por hectare para quitar o custo total, um volume superior à média local de 66 sacas. Já em Cascavel (PR), o ponto de equilíbrio pode chegar a 80 sacas por hectare, frente a uma produtividade média de 55 sacas.
Apesar do cenário macro de custos elevados, os indicadores de outubro de 2025 do IMEA (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária), mostram uma tendência de recuo nos custos operacionais das principais culturas, como soja, milho e algodão.
Em Mato Grosso (MT), referência nacional de produção agrícola, o custo de produção de soja transgênica 2025/26 recuou de R$ 4.173,76 por hectare em setembro para R$ 4.158,80 em outubro. Este recuo foi impulsionado pela queda nos custos de fertilizantes e corretivos, que caíram de R$ 1.879,33/ha para R$ 1.779,63/ha, e pela redução nas sementes. Em sentido oposto, o gasto com defensivos avançou de R$ 1.225,64/ha para R$ 1.334,26/ha no período.
O milho segunda safra também apresentou uma queda consistente, passando de R$ 3.295,32/ha em setembro para R$ 3.280,40 por hectare em outubro, com redução em fertilizantes (de R$ 1.454,25/ha para R$ 1.395,34/ha) e defensivos.
No mesmo sentido, o algodão de alta tecnologia registrou uma queda de R$ 10.769,75/ha em setembro para R$ 10.692,67 por hectare em outubro, com recuos generalizados em fertilizantes, defensivos e sementes.
Embora os itens de custeio direto tenham apresentado recuos, o Custo Operacional Efetivo (COE) não acompanhou essa redução de forma uniforme. O COE da soja, por exemplo, registrou aumento em outubro, pois a alta dos defensivos superou o recuo em fertilizantes. Já o milho e o algodão tiveram quedas no COE, indicando que o alívio dos insumos foi mais consistente.
Esse comportamento reforça que, mesmo com a redução de alguns insumos variáveis, outros componentes do custo operacional continuam pressionando as margens do produtor.
Embora tenha havido uma descompressão recente nos custos variáveis diretos em outubro, a métrica determinante para avaliar a viabilidade econômica de longo prazo é o Custo Total (CT) da safra. Sob essa perspectiva anual, o aumento dos custos nominais em reais é apenas parcialmente compensado pela produtividade. A comparação entre as safras 2024/2025 e 2025/2026 da soja ilustra essa dinâmica.
O custo total da soja por hectare passou de R$ 5.998,24/ha para R$ 6.115,83/ha, um avanço de 1,9%. Em termos relativos, porém, o custo por saca recuou de 51,27 para 50,97 sc/ha, queda de 0,6%. Esse movimento foi favorecido principalmente pelo ganho de produtividade (de 51,7 para 53 sc/ha) e pela valorização do preço médio projetado da saca, que subiu de R$ 117,00 para R$ 120,00.
A margem operacional estimada é de cerca de R$ 244,00 por hectare, correspondente a apenas 2,0% sobre o valor bruto da receita. Esta margem apertada evidencia que qualquer oscilação no preço de venda, na produtividade ou no câmbio pode rapidamente transformar o lucro em prejuízo.
O setor agrícola segue pressionado por fatores estruturais, como a forte dependência de insumos importados, e por condições financeiras mais rígidas, especialmente nas linhas de crédito do Plano Safra, que intensificam a pressão sobre a rentabilidade.
Quais estratégias podem proteger a margem do produtor?
A combinação entre volatilidade de preços e custos de produção ainda elevados torna indispensável uma gestão de riscos mais estruturada no campo. Planejamento financeiro, acompanhamento constante dos custos e decisões baseadas em dados atualizados são pilares fundamentais para preservar a margem e garantir a viabilidade da atividade agrícola.
Nesse contexto, os instrumentos de hedge surgem como aliados estratégicos. Eles permitem fixar preços futuros de commodities ou insumos, reduzindo a exposição às oscilações do mercado físico e trazendo maior previsibilidade financeira.
A Hedgepoint Global Markets oferece informações detalhadas do mercado de commodities agrícolas, aliadas a ferramentas de hedge que contribuem para uma gestão mais eficiente dos riscos no agronegócio.
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