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El Niño e soja: por que os impactos podem ir muito além das regiões tradicionalmente mais vulneráveis?

Escrito por Konrad Mello | Jul 21, 2026 6:00:04 PM

 

As primeiras projeções para a safra 2026/27 apontam para a possibilidade de um novo episódio de El Niño na América do Sul. Embora ainda seja cedo para definir sua intensidade e seus efeitos, o tema já mobiliza produtores, cooperativas, tradings e agentes do mercado, que buscam entender como o fenômeno poderá influenciar a produtividade das principais culturas agrícolas.

 

Quando se fala em El Niño, é comum associar seus impactos a padrões climáticos já conhecidos, como chuvas acima da média no Sul do Brasil e condições mais secas em parte das regiões Centro-Norte. No entanto, a realidade é muito mais complexa. A resposta das lavouras varia conforme a distribuição das chuvas, o tipo de solo, o manejo adotado e até mesmo o momento em que ocorrem os eventos climáticos ao longo do ciclo da cultura.

 

Foi justamente para compreender essa dinâmica que Konrad Mello, Gerente de Derivativos Climáticos da Hedgepoint Global Markets, desenvolveu um estudo sobre os impactos dos cinco episódios mais recentes de El Niño na produtividade da soja brasileira. A análise utiliza dados municipais do IBGE e projeções da CONAB para avaliar como diferentes regiões produtoras responderam aos eventos registrados nas safras 2014/15, 2015/16, 2018/19, 2019/20 e 2023/24.

 

"O El Niño costuma ser tratado de forma bastante generalizada, mas os dados mostram que seus impactos são muito mais localizados do que normalmente se imagina. Nosso objetivo foi entender como diferentes municípios responderam aos últimos eventos para oferecer uma visão mais precisa sobre os riscos para a próxima safra", explica Konrad.

 

Os impactos nem sempre seguem o padrão esperado

Uma das principais conclusões do levantamento é que os efeitos do El Niño não se limitam às regiões tradicionalmente consideradas mais vulneráveis.

 

Embora os maiores riscos permaneçam concentrados em parte do Centro-Norte brasileiro, o estudo identificou que importantes municípios do Centro-Sul também registraram perdas expressivas de produtividade durante diferentes episódios do fenômeno.

 

Estados como Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, São Paulo e Rio Grande do Sul apresentaram municípios com reduções significativas na produtividade quando comparadas à média das cinco safras anteriores.

Segundo Konrad, esse comportamento reforça a necessidade de abandonar análises excessivamente generalistas.

 

"Existe uma percepção consolidada de que o El Niño beneficia parte da produção do Sul do Brasil. Os dados mostram que essa leitura precisa ser feita com muito mais cautela. Há municípios em diferentes estados que apresentaram perdas relevantes mesmo durante anos classificados como El Niño."

 

Mais do que perdas de produtividade: o aumento da volatilidade

Além das reduções na produtividade observadas em algumas regiões, o estudo identificou outro aspecto igualmente importante: o aumento da volatilidade da produção.

 

Em diversos municípios, os resultados passaram a oscilar mais entre uma safra e outra durante os episódios de El Niño, tornando o planejamento agrícola mais desafiador.

 

Essa maior imprevisibilidade afeta decisões que vão além do campo. Comercialização antecipada, necessidade de crédito, planejamento financeiro e gestão do fluxo de caixa passam a depender de um ambiente climático cada vez mais incerto.

Para Konrad, essa é uma das principais mudanças observadas nos últimos anos.

 

"O produtor investe continuamente em tecnologia, genética, manejo e planejamento para reduzir os riscos dentro da propriedade. Mas existe um fator que permanece fora do seu controle: o clima. Quanto maior a variabilidade climática, maior também a necessidade de incorporar ferramentas de gestão de risco capazes de reduzir os impactos financeiros desses eventos."

 

Tecnologia e manejo continuam sendo fundamentais

O estudo reforça que práticas como manejo adequado do solo, escolha correta das cultivares e respeito às janelas definidas pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) continuam sendo essenciais para aumentar a resiliência das lavouras.

 

No entanto, mesmo propriedades altamente tecnificadas permanecem expostas aos efeitos de eventos climáticos extremos. Isso torna cada vez mais importante a adoção de uma estratégia integrada de gestão de risco, combinando boas práticas agronômicas, planejamento comercial e instrumentos financeiros capazes de mitigar impactos causados por eventos climáticos.

 

Um novo olhar sobre o risco climático

A principal contribuição do estudo da Hedgepoint é mostrar que o risco climático não pode ser analisado apenas em escala regional.

 

Ao avaliar dados municipais de produtividade, a pesquisa evidencia que municípios vizinhos podem apresentar respostas bastante diferentes ao mesmo evento climático, reforçando a importância de análises localizadas para apoiar a tomada de decisão.

 

À medida que eventos extremos se tornam mais frequentes, compreender essa variabilidade deixa de ser apenas um diferencial competitivo e passa a ser uma necessidade para produtores, cooperativas e empresas que atuam na cadeia da soja.

 

Acesse o estudo completo

O estudo desenvolvido por Konrad Mello reúne mapas municipais, séries históricas e uma análise detalhada sobre como os cinco episódios mais recentes de El Niño impactaram a produtividade da soja brasileira.

 

Além de identificar as regiões mais sensíveis ao fenômeno, o material apresenta uma visão abrangente sobre a volatilidade da produção e os principais fatores que devem ser acompanhados para a safra 2026/27.

 

Clique aqui para fazer o download gratuito do estudo completo e conhecer a análise na íntegra.

 

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