A Hedgepoint Global Markets realizou um evento proprietário em Londres, no dia 6 de outubro, durante a London Sugar Week, período que concentra alguns dos principais encontros do calendário internacional do mercado de açúcar, incluindo o tradicional Sugar Dinner.
O encontro reuniu 64 participantes, entre clientes, parceiros e profissionais do setor, em um espaço dedicado à análise dos fundamentos do mercado global de açúcar e à troca de perspectivas sobre os fatores que vêm influenciando a oferta, a formação de preços e as expectativas para as próximas safras.
“A realização deste encontro durante a London Sugar Week reforça a nossa estratégia de criar espaços para uma discussão técnica e aprofundada sobre os movimentos mais relevantes do mercado internacional. Aqui, queremos aproximar diferentes perspectivas para falar sobre os desafios e as transformações da cadeia global de açúcar”, afirma Murilo Mello, Head of Desk, na Hedgepoint Global Markets.
Na apresentação, Livea Coda destacou como as condições climáticas têm influenciado o balanço global de açúcar e contribuído para a sustentação dos preços. As perdas agrícolas em regiões produtoras do Hemisfério Norte, combinadas aos impactos do excesso de chuvas sobre o processamento da safra 2026/27 no Centro-Sul brasileiro, reduziram a disponibilidade de curto prazo e intensificaram a percepção de restrição da oferta.
“Esse cenário contribuiu para a valorização das cotações, com o contrato de outubro de 2026 superando 18,5 centavos de dólar por libra-peso durante o movimento de alta. A atuação compradora dos fundos especulativos também ampliou a movimentação dos preços, porém, destaca-se que o real suporte aos preços econtra-se no contrato de março de 2027, período no qual o aperto físico deverá ser sentido”, destaca Lívea Coda, coordenadora de Market Ingelligence na Hedgepoint Global Markets.
Apesar desse suporte, os fundamentos da demanda ainda não confirmam integralmente a percepção de escassez. Sinais mais fracos de consumo e a desaceleração das importações chinesas contribuíram para uma correção das cotações, indicando que o comportamento do mercado depende não apenas das condições de oferta, mas também da confirmação da demanda e da evolução das posições financeiras.
A análise também destacou que o aperto do balanço está concentrado, em grande medida, no contrato de março de 2027, negociado acima de 20 centavos de dólar por libra-peso. “Essa concentração reforça a importância de acompanhar a evolução dos fundamentos ao longo do ciclo e avaliar em que medida as restrições atuais podem persistir nos próximos meses”, destaca Lívea.
O cenário climático foi outro eixo central das discussões. As condições associadas a um episódio forte de El Niño representam um fator de pressão para diferentes regiões produtoras do Hemisfério Norte, onde a redução da umidade afetou o desenvolvimento de culturas como a beterraba açucareira e a cana-de-açúcar.
No Brasil, entretanto, as perspectivas para o Centro-Sul apontam para uma dinâmica diferente. O volume de chuvas observado na região pode favorecer o desenvolvimento da cana e contribuir para uma recuperação da produtividade na safra 2027/28, ampliando a disponibilidade de açúcar no ciclo seguinte.
As projeções apresentadas pela Hedgepoint indicam um aumento da produção de açúcar do Centro-Sul de 38,5 milhões de toneladas em 2026/27 para 43,8 milhões de toneladas em 2027/28. O cenário considera uma recuperação tanto da produtividade agrícola quanto do mix açucareiro em 2027/28, com a participação do açúcar na produção estimada em 50,5%, ante 46,8% na 2026/27.
Caso esse potencial se confirme, uma safra brasileira maior poderá contribuir para aliviar as restrições de oferta e limitar a sustentação dos preços mais adiante no ciclo. A perspectiva, porém, ainda depende da evolução das condições climáticas, do desenvolvimento dos canaviais e das decisões de produção das usinas.
Nesse contexto, a análise do mercado exige acompanhar simultaneamente os riscos de curto prazo e os fatores capazes de alterar o balanço global nos ciclos seguintes. Embora o cenário atual seja marcado pela restrição da oferta, as perspectivas para a produção brasileira em 2027/28 podem representar um importante ponto de inflexão para a curva de preços.
Além da apresentação técnica, o painel proporcionou uma oportunidade para discutir os principais fundamentos do setor a partir de diferentes perspectivas, reunindo profissionais com experiência em inteligência de mercado, trading, pesquisa e produção de açúcar.
A participação de representantes da Hedgepoint, da Shree Renuka Sugars e da Tereos ampliou o diálogo sobre as variáveis que influenciam as decisões dos participantes da cadeia, em um momento no qual as condições climáticas, a disponibilidade global e as expectativas para as próximas safras seguem no centro das atenções.
Para a Hedgepoint, realizar um evento próprio durante a London Sugar Week é uma oportunidade de fortalecer o relacionamento com clientes e parceiros, fomentar a troca de conhecimento sobre os fatores que influenciam os mercados globais de commodities e reforçar seu compromisso de conectar inteligência de mercado, expertise técnica e gestão de riscos, apoiando os participantes da cadeia na compreensão das mudanças nos fundamentos e de seus potenciais impactos sobre as decisões comerciais.