O mercado de cacau é guiado no curto prazo por fatores técnicos, pelo cenário macroeconômico internacional, influenciado pelos desdobramentos geopolíticos entre EUA e Irã e pela manutenção das taxas de juros pelo Federal Reserve, e pelas atualizações nos fundamentos de oferta e demanda. No curto e médio prazo, a dinâmica de preços permanece estruturalmente sensível ao clima. A ocorrência de um novo episódio de El Niño insere variáveis meteorológicas adicionais no balanço global, alterando a precificação do risco climático e a inclinação das curvas futuras para as próximas temporadas
Confira alguns temas centrais dessa análise:
Os modelos climáticos indicam que o El Niño deve permanecer ativo nos próximos meses, com probabilidade de atingir forte intensidade no segundo semestre.
O impacto do El Niño sobre a precipitação na cultura do cacau não apresenta um padrão claro. Enquanto pode provocar clima seco na América Central, norte do Brasil e partes da África, tende a elevar as chuvas no Equador e Peru. Na África Ocidental, a resposta depende da interação do fenômeno com a Monção da África Ocidental e os ventos Harmattan, podendo alterar o calendário de chuvas e intensificar o período seco.
O volume de chuvas neste período influenciará o desenvolvimento dos frutos colhidos no final da safra principal 2026/27 e o florescimento que dará origem à safra intermediária 2026/27.
Enquanto a distribuição pluviométrica varia entre as origens, os registros de temperatura apresentam comportamento mais semelhante. Análises da Hedgepoint sobre ciclos sob influência do fenômeno (18/19, 19/20 e 23/24) apontam que Costa do Marfim, Gana e Equador registraram temperaturas acima da média no período de florescimento. O aumento térmico pode elevar o estresse das lavouras e afetar o desenvolvimento de flores e dos frutos.
A analista de inteligência de mercado da Hedgepoint Global Markets, Carolina França, observa que a resposta produtiva do cacau ao El Niño pode ocorrer de forma não linear e defasada por se tratar de uma cultura perene. Embora o El Niño esteja associado a reduções de safra devido ao aumento de temperatura e irregularidade pluviométrica, os impactos dependem da intensidade do evento, do seu timing no ciclo e da sensibilidade do florescimento e desenvolvimento dos frutos. Adicionalmente, os registros históricos indicam que as perdas de produção podem se concentrar na safra sob efeito direto do evento, com possibilidade de recuperação nos ciclos subsequentes por meio da realocação fisiológica de recursos da planta e alteração no período de chuvas.
Para a safra 2026/27, estimativas proprietárias da Hedgepoint indicam redução na oferta das principais origens:
Com essas revisões, o superávit global projetado para a safra 2026/27 se ajusta para 111 mil toneladas, tendo uma queda na produção global de 2,0% (totalizando 4,796 milhões de toneladas) e recuperação na demanda mundial (moagem) estimada em 2,5% (atingindo 4,685 milhões de toneladas).
Com a inclusão de variáveis climáticas no balanço de longo prazo do cacau, o acompanhamento das lavouras e o gerenciamento de riscos mantêm-se essenciais para a estruturação das operações comerciais.
Acompanhe o impacto dos fatores climáticos e as dinâmicas globais de oferta e demanda por meio das nossas análises fundamentais no Hedgepoint HUB