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Outlook Commodities H2 2026: perspectivas para açúcar, cacau, grãos e café

Escrito por Hedgepoint Global Markets | Sep 18, 2026, 7:26:57 PM

O segundo semestre de 2026 vem sendo marcado por uma combinação de fatores climáticos, geopolíticos e de demanda que seguem moldando os mercados globais de commodities.

No mais recente Outlook da Hedgepoint, os destaques passam pelo fortalecimento do risco climático associado ao El Niño, mudanças nos fluxos comerciais globais e ajustes importantes nos balanços de oferta e demanda de diversas cadeias agrícolas. A seguir, apresentamos um panorama das principais perspectivas para cacau, grãos, açúcar e café.

 

Acompanhe as análises detalhadas sobre cada um dos pilares deste artigo: 

 

Cacau: demanda dá sinais de recuperação, mas riscos permanecem

O mercado de cacau registrou recuperação dos preços ao longo de julho, impulsionada por um cenário de enfraquecimento do dólar, aumento da volatilidade após feriados e expectativas relacionadas a um El Niño mais intenso. Dados recentes de demanda também contribuíram para sustentar as cotações.

Um dos principais destaques do setor é a retomada gradual da demanda global. Após um período de retração, as atividades de moagem mostraram sinais positivos nas principais regiões consumidoras. A moagem avançou 4,6% na Europa, 25,1% na Ásia e 7,7% na América do Norte, indicando recuperação do consumo e mudanças nos fluxos comerciais.

Essas transformações também aparecem no comércio internacional. A Malásia ampliou significativamente suas exportações de pasta de cacau, com crescimento de 139% entre outubro de 2025 e abril de 2026, enquanto a Indonésia manteve exportações de cacau em pó acima da temporada anterior, impulsionadas pela demanda asiática, especialmente de Índia e China.

Na Europa, o aumento das importações líquidas de manteiga e pó de cacau da Costa do Marfim sugere mudanças relevantes na dinâmica da indústria processadora. Já nos Estados Unidos, as importações de pasta e manteiga cresceram 15,7% e 14,3%, respectivamente, reforçando sinais de uma demanda mais robusta.

Do lado da oferta, a Hedgepoint revisou para cima sua projeção para a safra 2025/26 da Costa do Marfim, elevando a estimativa para 1,926 milhão de toneladas após melhora climática e aumento de 20,8% nas entregas aos portos. Para 2026/27, contudo, a perspectiva é mais cautelosa devido à taxa de frutificação abaixo da média e aos riscos associados ao El Niño.

Em Gana, chuvas excessivas podem impactar o início da próxima temporada, levando a uma expectativa de queda de 8% na produção em 2026/27. Nigéria e Camarões, por sua vez, devem produzir aproximadamente 290 mil e 285 mil toneladas, respectivamente.

No cenário global, a Hedgepoint projeta superávit de 325 mil toneladas em 2025/26 e de 111 mil toneladas em 2026/27. Apesar disso, o mercado segue atento ao avanço do EUDR, regulamentação europeia que pode restringir temporariamente o volume de cacau elegível para importação e elevar custos ao longo da cadeia.

 

Grãos: demanda segue dando suporte para soja e milho

O mercado de grãos continua acompanhando de perto a relação comercial entre Estados Unidos e China. A retomada das compras chinesas de soja norte-americana e a expectativa em torno do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping em setembro sustentam o interesse do mercado pela oleaginosa. O acordo prevê compras de aproximadamente 25 milhões de toneladas de soja por ano nos próximos três anos.

Nos Estados Unidos, o USDA elevou sua estimativa de área plantada e projeta produção recorde de soja em 2026/27, alcançando 123 milhões de toneladas. Mesmo com o aumento da oferta, exportações e esmagamento devem continuar avançando, mantendo os estoques relativamente apertados.

O processamento da soja permanece forte, impulsionado principalmente pela demanda por óleo para biodiesel. A participação do óleo na margem de esmagamento segue elevada, incentivando a atividade industrial.

No milho, a produção norte-americana deve recuar em relação à safra recorde de 2025/26, mas ainda poderá representar a segunda maior safra da história dos Estados Unidos, com 406,7 milhões de toneladas. A forte demanda internacional continua sustentando as exportações.

No Brasil, a expectativa é de produção de soja de 181,7 milhões de toneladas em 2026/27. O crescimento da área deve ser limitado por margens mais apertadas para os produtores, enquanto o clima ganha protagonismo com a intensificação do El Niño.

O fenômeno climático já é considerado um dos principais fatores de risco para a próxima safra sul-americana. Segundo o relatório, há expectativa de um El Niño forte a muito forte entre setembro e janeiro, trazendo potencial para condições mais secas em grande parte do Brasil e mais úmidas no Sul do continente.

No milho brasileiro, o destaque permanece sendo a demanda doméstica. O crescimento da indústria de etanol de milho continua acelerado e deve adicionar cerca de 5,5 milhões de toneladas de consumo em 2025/26. A adoção do E30 e, posteriormente, do E32 reforça essa tendência estrutural de aumento da demanda.

Como resumo, os fatores de suporte para os preços continuam concentrados na forte demanda internacional, no crescimento do biodiesel nos EUA e na expansão do etanol de milho no Brasil, enquanto o El Niño aumenta as incertezas para a próxima safra sul-americana.

 

Açúcar: mercado mais apertado, mas Brasil limita altas mais expressivas

O mercado global de açúcar passou por uma mudança importante ao longo de 2026. A maior competitividade do etanol hidratado no Centro-Sul do Brasil reduziu o mix destinado ao açúcar, enquanto chuvas adicionais afetaram a moagem e o teor de ATR em algumas regiões.

Ao mesmo tempo, o fortalecimento do El Niño elevou os riscos de perdas produtivas no Hemisfério Norte, especialmente em países como Índia, Tailândia, México e partes da América Central.

Apesar desse cenário mais apertado, a situação difere de ciclos anteriores de forte valorização. O Brasil continua apresentando desempenho sólido, limitando movimentos mais agressivos de alta nos preços internacionais.

As projeções da Hedgepoint indicam uma safra de 635,5 milhões de toneladas de cana no Centro-Sul em 2026/27, com produção de açúcar próxima de 39,9 milhões de toneladas. Para 2027/28, a expectativa preliminar aponta para mais de 650 milhões de toneladas de cana e produção potencial de 43 milhões de toneladas de açúcar.

O relatório destaca que o principal vetor altista atualmente está relacionado aos riscos climáticos no Hemisfério Norte e aos potenciais impactos de um super El Niño. As probabilidades de ocorrência de um evento muito forte superam 75% entre agosto e novembro de 2026.

Mesmo assim, o Brasil continua sendo o principal fator de equilíbrio do mercado global. O aumento da disponibilidade de açúcar no Centro-Sul tende a compensar parte dos problemas observados em outras origens, evitando déficits mais severos nos fluxos globais de comércio.

 

Café: superávit no curto prazo, mas mercado monitora riscos para 2027/28

A Hedgepoint manteve sua estimativa para a produção brasileira de café, projetando uma safra recorde de 75,8 milhões de sacas em 2026/27. O desempenho será sustentado principalmente pela recuperação da produção de arábica e pela continuidade de uma oferta robusta de conilon.

Embora as chuvas tenham afetado a qualidade de parte dos grãos de arábica durante a colheita, os volumes permaneceram alinhados às expectativas. A maior oferta deverá permitir aumento das exportações ao longo da temporada.

No conilon, apesar da redução em relação ao recorde anterior, a expansão da área cultivada e as condições climáticas favoráveis seguem garantindo produção elevada. Além disso, os preços mais competitivos reforçam a demanda interna pela variedade.

Fora do Brasil, o mercado acompanha as condições climáticas em importantes origens produtoras. No Vietnã, as chuvas melhoraram no meio de 2026, mas o clima mais seco registrado no início do ciclo ainda gera dúvidas sobre o potencial produtivo. Já na América Central e na Colômbia, o padrão climático irregular associado ao El Niño exige monitoramento constante.

Outro fator de atenção foram os terremotos registrados na Colômbia e na Indonésia. Na Colômbia, os danos atingiram infraestrutura e logística, afetando importantes regiões cafeeiras e aumentando a volatilidade do mercado. Na Indonésia, os impactos sobre a produção de café foram considerados limitados.

Globalmente, a Hedgepoint projeta superávit de aproximadamente 8,9 milhões de sacas em 2026/27. Contudo, os baixos estoques nos países consumidores e os riscos associados ao El Niño mantêm o mercado sensível a qualquer alteração nos fundamentos.

 

Perspectiva geral

O panorama para o segundo semestre de 2026 mostra um mercado de commodities fortemente influenciado pelas perspectivas climáticas. O possível fortalecimento do El Niño surge como principal fator de risco para açúcar, cacau, grãos e café, enquanto a demanda continua desempenhando papel fundamental no suporte aos preços.

Ao mesmo tempo, o Brasil permanece no centro das atenções, seja como principal estabilizador da oferta global de açúcar, como protagonista da expansão da soja e do milho ou como responsável por uma safra recorde de café.

 

Como acompanhar as atualizações do mercado de commodities em 2026?

Para os mercados de commodities, o cenário de 2026 combina oferta relativamente confortável em algumas cadeias agrícolas, recuperação gradual da demanda em determinados segmentos e riscos climáticos crescentes associados ao fortalecimento do El Niño.

Ao mesmo tempo, tensões geopolíticas, mudanças nos fluxos comerciais globais e incertezas macroeconômicas seguem elevando a volatilidade dos mercados, reforçando a importância de monitoramento constante e de informações qualificadas para apoiar a tomada de decisões e a gestão de riscos.

A Hedgepoint Global Markets combina dados, análises completas e inteligência de mercado para apoiar sua tomada de decisão em ambientes de alta volatilidade.

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