
Acompanhe as perspectivas do mercado global de açúcar para 2025/26, diante do cenário de incerteza provocado pela guerra Estados Unidos-Irã.
O mercado global de açúcar entrou no ciclo de 2025/26 (Out-Set) sob uma dinâmica de excedente, o que, em tese, configuraria um cenário de baixa para os preços da commodity. Entretanto, o conflito entre Estados Unidos e Irã alterou o cenário.
De acordo com a Organização Internacional do Açúcar (ISO) e relatórios de mercado de commodities, o ciclo 2025/26 provavelmente registraria superávit na oferta global, refletindo a recuperação produtiva em países-chave e a manutenção de volumes elevados no Brasil.
Para os agentes da cadeia do setor sucroenergético, compreender algumas das variáveis do setor, diante de tamanha volatilidade, é essencial para o planejamento estratégico. Quer saber mais? Continue a leitura e confira:
Vamos lá?
O conflito entre EUA e Irã inevitavelmente vai mexer com o mercado de açúcar. A tensão geopolítica abre uma série de frentes que oferecem suporte aos preços.
O primeiro gatilho é o petróleo. Com o barril mais caro, sobem também os custos de produção e de logística do açúcar, ou seja, do campo até o porto, tudo fica mais caro. No Brasil, há um efeito extra: preços elevados de energia tendem a sustentar o etanol em patamares mais altos, o que influencia diretamente a decisão das usinas entre produzir mais álcool ou mais açúcar.
Mas os impactos vão além dos combustíveis. As rotas comerciais para o Oriente Médio ficam mais longas, mais arriscadas e, consequentemente, mais caras. Com isso os seguros e fretes disparam, dificultando o escoamento da produção do Brasil e da América Central para a região.
Por fim, há um efeito menos óbvio, mas relevante: grandes refinarias do Oriente Médio, como a Al Khaleej, de Dubai, enfrentam dificuldades para receber açúcar bruto e escoar açúcar branco, o que cria pressão adicional sobre o contrato de refinado no mercado internacional, listado na bolsa de Londres.
Fora os efeitos mais amplos para commodities, o conflito entre Estados Unidos e Irã afetou rotas de açúcar para o Leste Africano e o Oriente Médio, como se pode verificar no gráfico:
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Acompanhe no detalhe:
No que diz respeito aos fundamentos, surgiram alguns desenvolvimentos que, quando combinados, tiveram um impacto sutil no mercado de açúcar.
O primeiro diz respeito à disponibilidade de açúcar na Índia, seguido por um ajuste compensatório na Tailândia. Nossa estimativa inicial para a safra 25/26 da Índia previa uma produção de açúcar de 31,1 Mt, desvio para etanol de 3,7 Mt e exportações de 1,5 Mt.
No entanto, rendimentos mais baixos, em parte ligados a problemas de floração nos canaviais e dificuldade para realizar os tratos culturais devido ao clima, levaram a uma revisão para baixo na produção, para 28,5 Mt, com as exportações reduzidas para pouco mais de 700 kt. Como resultado, o superávit comercial global diminuiu de 1,8 Mt para cerca de 1,1 Mt.
Além disso, as expectativas de que a Índia pudesse aumentar sua participação no comércio global em 26/27 estão agora em risco, não apenas devido à recuperação mais fraca em 25/26, mas também em meio às possibilidades de ocorrência do El Niño.
Para manter uma postura conservadora, assumimos agora níveis de produção estáveis e, potencialmente, nenhuma exportação da Índia na safra seguinte. Essas revisões relativas à Índia levariam nossos fluxos comerciais a um equilíbrio entre o quarto trimestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2027.
Em contrapartida, as perspectivas da Tailândia melhoraram. Apesar das preocupações em torno da doença da folha branca, os rendimentos estão superando as expectativas. A produção foi elevada de uma estimativa inicial de 10,5 Mt para cerca de 11,5 Mt, adicionando aproximadamente 1 Mt aos fluxos comerciais globais, levando-os de volta a uma situação de excesso de oferta.
Os preços mais altos do petróleo também impactam o mercado de açúcar, aumentando os custos de produção e logística em toda a cadeia de abastecimento, desde fertilizantes e operações de campo até moagem, refino e frete de exportação.
A intensificação do conflito entre Estados Unidos e Irã elevou substancialmente os preços do petróleo desde o início de 2026, o que impacta diretamente os custos de produção e logística do açúcar.
No Brasil, os preços mais altos da energia podem sustentar a paridade do etanol, possivelmente elevando o piso efetivo dos preços do açúcar. O cenário atual reforça a dependência do mercado de açúcar de fatores externos aos seus fundamentos, como o repasse de custos da Petrobras, que pode influenciar o piso de preços da safra.
A possível redução de disponibilidade na Índia tende a ser, ao menos parcialmente, compensada por melhores perspectivas na Tailândia e por uma maior flexibilidade do mix produtivo no Brasil. No Centro-Sul brasileiro, dados recentes da UNICA reforçam a expectativa de uma safra 2025/26 (abr – mar) ao redor de 610 Mt de cana, resultando em aproximadamente 40,5 Mt de açúcar.
As condições climáticas seguem favoráveis ao desenvolvimento da cana, o que adiciona riscos de alta para a safra 2026/27, atualmente estimada em 630 Mt. Caso esse cenário se confirme, os fundamentos permanecem predominantemente baixistas, uma vez que choques de oferta em outras origens poderiam ser absorvidos pelo Brasil.
O Brasil consolida sua posição como o maior exportador e principal formador de preços no mercado global de açúcar. Segundo dados do USDA e ISO, o país responde por aproximadamente 40% das exportações globais do produto.
Para o ciclo 2025/26, diversas consultorias especializadas apontam a possibilidade de superávit no fluxo comercial global, com estimativas de excedente entre 1,5 e 1,7 milhão de toneladas no balanço anual (outubro–setembro).
Um fator determinante na competitividade brasileira é a movimentação cambial. A desvalorização do real frente ao dólar tende a favorecer a rentabilidade das exportações brasileiras, já que o açúcar negociado nos mercados internacionais é cotado em dólar, com referência na bolsa ICE Futures US, em Nova York.
Nesse contexto, a arbitragem entre o mercado doméstico e o mercado internacional torna-se um elemento central para a definição do destino da produção.
Além disso, o Brasil possui flexibilidade no uso da cana para produção de açúcar ou etanol, refletido no índice denominado “mix açúcar”. A alta do complexo energético tem oferecido suporte ao açúcar à medida que o mercado precificou a possibilidade de repasses de custo por parte da Petrobras, o que induziria alta nos preços dos combustíveis e, portanto, no principal competidor por matéria prima: o etanol. Assim, abre-se a possibilidade de o açúcar valer mais mesmo dentro de um contexto de superávit e meno e menoçúcar esperado para 2026/27.
Como destacamos anteriormente, há dois canais principais por meio dos quais os preços do açúcar poderiam encontrar suporte no contexto da guerra entre os EUA e o Irã. Primeiro, preços mais altos de energia e fertilizantes, os quais, uma vez mantidos, poderiam elevar os custos de produção em toda a cadeia de suprimentos.
Segundo preços mais firmes do etanol no mercado interno brasileiro, impulsionados por um possível repasse dos custos de importação pela Petrobras, que poderiam elevar a paridade do etanol e, por sua vez, proporcionar um piso mais alto para os preços do açúcar.
Vale ressaltar, no entanto, que nenhum desses fatores implica uma mudança nos fundamentos intrínsecos do mercado de açúcar. Assim, caso o conflito se acalme e parte dos recentes ganhos no complexo energético se reverta, o suporte de preço associado provavelmente se dissiparia de acordo.
O suporte recente aos preços do açúcar, portanto, não decorre de mudanças nos fundamentos, mas sim no ajuste de expectativa dos agentes do mercado, contando também com movimentos especulativos como a cobertura de posições vendidas por fundos além do fortalecimento do complexo energético.
Recentemente, mercado testou e encontrou uma faixa de equilíbrio temporária entre 15,4 e 15,9 c/lb, com resistência próxima ao teto desse intervalo. Esse patamar é considerado frágil, pois está sustentado por fatores externos e por elevada volatilidade macroeconômica e geopolítica, e não por uma reviravolta estrutural na oferta e demanda.
Nesse cenário de incertezas climáticas e econômicas, o uso de ferramentas de inteligência de mercado é indispensável.
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