Temporada de furacões nos EUA e efeitos no mercado de energia

Saiba como a temporada de furacões nos Estados Unidos pode impactar o mercado de energia a nível local e global e qual o papel da gestão de riscos nesta situação.

02 de Agosto de 2023

Hedgepoint Global Markets

Sempre que há a temporada de furacões nos Estados Unidos (EUA), o mercado energético precisa ficar atento. Isso ocorre porque esse fenômeno pode impactar a infraestrutura, a oferta e os preços de commodities energéticas como o petróleo, produtos refinados e o gás natural a nível local e global devido a interrupções nos fluxos de produção.

Convidamos Victor Arduin, Analista de Inteligência de Mercado da hEDGEpoint, para falar sobre o assunto e destacar o papel da gestão de riscos neste contexto. Segundo ele, grande parte da estrutura energética dos Estados Unidos está localizada na costa do Golfo do México, polo importante para todo o planeta e que sofre a ação direta de furacões:

Victor Arduin, Market Intelligence Analyst

Victor Arduin, Market Intelligence Analyst

“No país, aproximadamente 45% da capacidade de refino de produtos derivados do petróleo se concentra nesta área, como nos estados do Texas, Louisiana, Mississippi e Alabama“, exemplifica.

Continue a leitura para saber mais!

O que são os furacões?

Os furacões são uma tempestade climática e ocorrem perto da Linha do Equador. São formados quando a temperatura das águas está mais elevada. Por isso, a temporada de furacões no Atlântico ocorre de junho a novembro. Victor Arduin explica:

“Essas tempestades climáticas que se direcionam para o Golfo do México surgem devido a uma série de fatores climáticos. Entre eles, há a pressão atmosférica, direção dos ventos e temperatura das águas. Quando ganham intensidade, podem subir de uma escala de 1 a 5”.

Em 2023, a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA, tradução livre da sigla em inglês) prevê 40% de chances de uma temporada quase normal, 30% de chances de uma temporada acima do normal e 30% de chances de uma temporada inferior ao normal.

Como a temporada de furacões pode impactar o mercado de energia norte-americano?

Para você entender como a temporada de furacões pode acarretar alterações em todo o setor energético norte-americano, vamos trazer alguns exemplos práticos.

Ao longo da história dos Estados Unidos, os furacões Audrey (1992), Katrina (2005), Ike/Gustav (2008), Harvey (2017) e Ida (2021) atingiram drasticamente o país, pois grande parte de sua produção energética está localizada no Golfo do México, área bastante prejudicada pelos furacões.

Produção histórica de óleo no Golfo do México (desde 2000)

temporada de furacões: mercado de energia, apresentação de dados em gráficos de barras

Fonte: EIA (Energy Information Administration)

O Furacão Audrey, por exemplo, foi muito destrutivo nas Bahamas, na Flórida e em Louisiana:

“No mercado de energia estadunidense, foi responsável por destruir em torno de 13 plataformas offshore, estruturas industriais que são instaladas em águas profundas, geralmente no mar, para a exploração e produção de commodities como petróleo e gás natural. Com isso, prejudicou em torno de 5% da produção de gás dos EUA”, aponta Arduin.

Segundo Arduin, em momentos como esse, os preços das commodities energéticas sofrem grande volatilidade. Isso acontece porque o mercado precifica interrupções no fornecimento de petróleo, gasolina e diesel.

Já o Furacão Katrina apresentou ventos que alcançaram mais de 280 km/h e causaram enormes prejuízos no litoral sul dos Estados Unidos. A sua magnitude foi tão grande que paralisou cerca de 90% da produção de petróleo na costa do Golfo:

“O preço da gasolina disparou para valores muito altos. Na época, o governo de George W. Bush precisou liberar em torno de 30 milhões de barris de gasolina para uso público das suas reservas estratégicas”, pontua o especialista da hEDGEpoint.

O Furacão Ike, por sua vez, afetou em torno de 60 plataformas offshore. Arduin explica os principais efeitos:

“Além disso, danificou mais 31 plataformas de maneira bem significativa. Outro furacão de alta proporção foi o Harvey, que forçou a paralisação de 18 refinarias no Texas,  prejudicando 20% da capacidade de refino dos Estados Unidos”.

A temporada de furacões interrompeu a produção de petróleo bruto e gás natural no Golfo do México (ano 2005-2018)

temporada de furacões

OCS, GOM Historical monthly Oil Production (since 200)

Em 2021, o Furacão Ida se tornou o segundo mais intenso furacão a chegar no estado da Louisiana. Como consequência, suspendeu o fornecimento de energia da costa do Golfo, fechando portos de exportação de commodities energéticas e reduzindo quase metade da produção de combustível para motores.

Ida deixou as operações de extração de petróleo mais inutilizadas do que outras grandes tempestades 9 dias após aterragem.

Temporada de furacões nos EUA

Fonte: Bloomberg

Quais são os efeitos da temporada de furacões nos EUA a nível mundial?

Você deve ter percebido que os furacões mudam toda a dinâmica energética nos Estados Unidos. Mas, a repercussão também acontece nos mercados de energia mundiais.

A região da costa do Golfo do México produz em torno de 2 milhões de barris de petróleo por dia. Só para se ter idéia dessa magnitude, o Brasil inteiro produz cerca de 3 milhões por dia. Arduin esclarece:

“Os estados norte-americanos da costa do Golfo do México são essenciais para a produção de petróleo mundial, correspondendo a cerca de 2% do total de oferta no mundo, que está em torno de 105 milhões de barris por dia”.

Quando acontecem essas tempestades que causam alterações na produção e fornecimento de petróleo, os mercados internacionais reagem. Com menos suprimento e demanda praticamente inelástica no mundo, há o aumento de preços.

“Essa situação causa temores no mercado. Um dos motivos é o próprio papel dos Estados Unidos, pois são um exportador tanto de petróleo como de produtos refinados. Com as tempestades, existem riscos de interrupção de produção, e diversos países sofrem impactos, pois dependem dos produtos norte-americanos”, comenta Arduin.

Para exemplificar, basta pensarmos no Brasil. O país importa grandes volumes de diesel dos Estados Unidos, por exemplo. Os Estados Unidos aproveitaram a deficiência produtiva de energia da América Latina como um todo para exportarem refinados e petróleo.

“A população cresce, assim como a demanda energética. Na América do Sul, não temos acompanhado essa capacidade de oferta em relação à demanda crescente, o que exige importar”, esclarece Arduin.

Como o mercado se prepara para enfrentar esse cenário?

O mercado se prepara com apreensão, acompanhando fenômenos meteorológicos como um todo. Em relação à gestão de riscos, Arduin pondera que há dois pontos fundamentais: os riscos que podem ser controlados e aqueles que não podem.

“No primeiro caso, podemos fazer operações de hedge. Pense em uma empresa que importa diesel no Brasil e quer se proteger da exposição ao risco dos preços subirem abruptamente. Ela não sabe se o preço vai  aumentar ou diminuir no futuro. Então, poderá usar derivativos para fazer a proteção e reduzir sua exposição à volatilidade, fixando sua margem e garantindo sua operação”, explica.

Assim, por meio de instrumentos financeiros, é possível ter um certo controle ou previsibilidade das receitas que podem ser auferidas. Agora, em relação aos riscos que não podemos controlar, imagine uma empresa norte-americana localizada na costa do Golfo:

“A empresa poderá recorrer aos derivativos, mas também depende da sua produção física. Quando ela é paralisada, não há o que fazer: a empresa está exposta a esse risco que não pode ser controlado”, pontua.

Para entender bem a questão, pense em uma produtora de petróleo, por exemplo. Se o preço do barril subir, é melhor para a companhia. Mas, o cenário muda para uma empresa aérea que depende da compra de querosene de aviação e que corre o risco de pagar mais caro pelo produto refinado, já que boa parte do custo depende do insumo que é o petróleo. Nesta situação, a empresa de aviação poderá usar derivativos na hora de realizar a compra do produto:

“Se esse preço sobe,a empresa de aviação ganhará no mercado financeiro, por mais que no mercado físico esteja mais caro. Assim, consegue contrabalançar ganhos e perdas entre financeiro e físico visando obter a margem desejada”, finaliza Arduin.

hEDGEpoint: Gerenciamento de risco para volatilidade do mercado

Há diferentes tipos de riscos no mercado de energia. Com mudanças políticas e econômicas em curso, guerras em andamento e a iminência de fenômenos climáticos, e realizar a gestão de riscos é uma opção viável para antecipar cenários.

Em um mercado tão volátil, você pode chegar a um parceiro de cobertura profissional que possui amplo conhecimento do setor de energia, como é o caso exato do hEDGEpoint. Reunimos o conhecimento de nossos funcionários em diferentes áreas para oferecer a você produtos de gerenciamento de risco para diferentes commodities.

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