Colheita de soja: perspectivas para a América do Sul
A colheita de soja da safra 2023/24 já começou no Brasil. O mercado mundial de commodities acompanha de perto esse momento, afinal, o país é o maior produtor dessa matéria-prima no planeta.
Entretanto, as estimativas para uma temporada recorde estão abaixo do esperado no início do ciclo. Problemas climáticos, acentuados pelo El Niño, ajudam a explicar a queda na produtividade.
No entanto, com a recuperação da safra de soja na Argentina e as boas perspectivas para o Paraguai e o Uruguai, a tendência ainda é de uma excelente produção de soja na América do Sul. Para discutir o cenário da safra de soja e sua evolução nessa região, convidamos os profissionais do hEDGEpoint:
- Pedro Schicchi, Analista de Inteligência de Mercado de Grãos e Oleaginosas.
- Sol Arcidiácono, Head de Grãos da Divisão Latino-Americana.
Continue a leitura e confira!
Brasil: clima seco afeta a colheita de soja no país
No Brasil, planta-se a soja por volta de outubro e novembro. A colheita, por sua vez, começa no final de janeiro e início de fevereiro. Os estágios reprodutivos do desenvolvimento do grão são os mais críticos para os produtores e ocorrem entre dezembro e janeiro.
Durante esse período, as condições climáticas merecem atenção especial, segundo Pedro Schicchi:
“Se a chuva está em falta nessa época, por exemplo, há impactos na produtividade. Já em casos de calor extremo, pode afetar a evaporação, o que requer necessidade de mais água para a oleaginosa”, explica.
Para a safra de soja 23/24, o clima seco persiste em importantes estados produtores. As estimativas iniciais apontavam para uma produção de até 160 milhões de toneladas de soja. Porém, devido às condições climáticas, essas previsões foram alteradas.
“Estamos em um momento decisivo, em que o mercado tenta compreender o que poderá acontecer. Diante das condições atuais, indica-se a produção entre 145 milhões de toneladas de soja na atual temporada”, pontua Schicchi.
Em termos históricos, ainda é uma boa safra para o Brasil. Se essas estimativas forem confirmadas, o país produzirá cerca de 5 milhões de toneladas a menos do que na temporada anterior.
- Leia mais: A influência dos fenômenos climáticos no mercado de commodities
● Mato Grosso com queda de produtividade
De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea/Famato), a safra de grãos deve chegar a 39 milhões de toneladas no estado, líder na produção de soja. Esse volume é 3,1 milhões de toneladas inferior ao esperado em dezembro e 13,9% menor que o do ciclo anterior.
O Imea indica que a área semeada permaneceu estável. No entanto, o rendimento médio da safra diminuirá na região para cerca de 53,59 sacas por hectare. No último ciclo, a produtividade no estado foi de 62,31 sacas por hectare, um recorde na série histórica.
Recuperação argentina e boas perspectivas para Uruguai e Paraguai
O calendário da soja argentina é diferente do brasileiro: a colheita ocorre alguns meses depois, entre abril e maio. No último ciclo, a safra argentina de soja sofreu um déficit muito significativo, com uma produção de cerca de 25 milhões de toneladas.
Isso foi quase a metade do que era produzido normalmente. Devido ao La Niña, que causou seca em importantes áreas produtoras, foi necessário até mesmo importar soja do Brasil.
Contudo, as recentes chuvas na região agrícola da Argentina aumentaram as perspectivas de uma boa colheita, pois o grão se desenvolve em condições ideais e adequadas de umidade. Assim, a safra de soja deve chegar a 50 milhões de toneladas no país. Sol Arcidiácono também destaca a recuperação para a indústria de esmagamento:
“Com uma recuperação tão importante no volume produzido na Argentina, ela voltará a ocupar o primeiro lugar como exportadora de farelo e óleo de soja. Dessa forma, consolida-se como uma fonte muito competitiva”, aponta.
Também é esperada uma boa produção no Paraguai e Uruguai: 10,3 milhões e 2,9 milhões de toneladas, respectivamente.
“Assim, a América do Sul como um todo vai produzir um recorde para a região, mesmo se o Brasil não alcançar os níveis inicialmente esperados”, explica Schicchi.
Qual é a dinâmica do fluxo comercial da safra de soja na América do Sul?
É provável que o mercado mundial de soja sofra volatilidade de preços. A oferta dos EUA será menor do que no ano passado, mas a América do Sul compensará essa perda. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) estima que a Argentina, o Brasil e o Paraguai responderão por 54% da produção mundial de soja.
- Leia também: Como a volatilidade impacta o mercado de commodities?
Há chances de que o Brasil reduza seu potencial de exportação de soja devido a problemas relacionados ao clima. A Argentina, por outro lado, deve recuperar sua liderança nas exportações mundiais de farelo de soja, além de seus embarques de óleo de soja.
“Neste cenário, um dos possíveis riscos são as pressões inflacionárias nos preços. Afinal, haverá uma oferta maior na América do Sul em relação ao ciclo passado”, elucida Schicchi.
● Recuperação na indústria de esmagamento
No que diz respeito à indústria de esmagamento, Arcidiácono destaca que neste ano haverá uma recuperação notável na dinâmica comercial dos subprodutos. Em especial, no mercado internacional:
“A Argentina pode aumentar sua participação no mercado do óleo de soja, chegando inclusive a destinos tradicionalmente autossuficientes, como os Estados Unidos. Também acredito que ela tem uma oportunidade renovada com o Brasil”, explica.
Segundo a Head de Grãos da Divisão Latino-Americana da hEDGEpoint, o consumo doméstico de óleos vegetais nos dois grandes produtores de soja, Estados Unidos e Brasil, é muito grande. Isso acontece devido ao impulso crescente desses países que, com grandes populações e misturas obrigatórias cada vez maiores, estão desafiando a autossuficiência:
“Enquanto isso, a Argentina ainda está lutando para colocar em ordem sua lei de biocombustíveis e tem um grande excedente exportável. Já estamos vendo o óleo de soja argentino chegar aos Estados Unidos e já vimos exportações para o Brasil em outros anos apertados”, pontua.
A margem de esmagamento não é mais tão interessante para o setor brasileiro ou norte-americano como era no ano passado, quando a Argentina não era competitiva:
“O ciclo do ano passado foi um ciclo ideal, com soja barata e subprodutos caros, para o setor de esmagamento no Brasil”, finaliza Arcidiácono.
● Entenda a dinâmica de comercialização
A comercialização refere-se à quantidade de produção que foi vendida. Schicchi aponta para uma tendência nos últimos anos: os produtores brasileiros e argentinos estão vendendo cada vez menos soja antes da colheita.
Isso se deve à perspectiva de preços mais altos, uma realidade que se confirmou quando houve uma safra ruim na Argentina e, portanto, menos oferta disponível. No caso dos produtores argentinos, eles diminuíram o ritmo de suas vendas nos últimos anos por motivos como problemas cambiais.
Portanto, eles retêm o produto como uma forma de preservar a quantidade de dólares disponíveis. Neste ano, entretanto, com as mudanças na taxa de câmbio, os produtores argentinos podem estar mais dispostos a vender seu produto ao dólar americano.
Assim, quando se chega à colheita com pouca soja vendida, é preciso vendê-la para pagar dívidas, por exemplo. Em outras palavras: os produtores têm de vender mais soja do que o normal, tudo ao mesmo tempo, o que aumenta a concorrência e a oferta disponível.
“Cria-se, nessa situação, a pressão nos preços, pois o produtor não realizou a venda antes da colheita, já que acreditava que o preço subiria. Mas, com muita soja ofertada, o preço cai”, pontua o Analista de Inteligência de Mercado de Grãos e Oleaginosas da hEDGEpoint.
Leia também:
- Mercado da soja: como funcionam os contratos futuros?
Entenda o papel da gestão de riscos no mercado da soja
Como você percebeu, o mercado da soja tem flutuações na oferta e demanda. No ciclo Como você deve ter visto, o mercado de soja flutua de acordo com a oferta e a demanda. No ciclo 22/23, a Argentina teve uma safra ruim. O Brasil, por outro lado, obteve uma produção recorde.
Para o ciclo 23/24, as perspectivas apontam para uma recuperação na Argentina e uma produção menor do que a esperada no Brasil. Porém, haverá mais oferta disponível nos países produtores da América do Sul devido à boa produção de modo geral. Isso exercerá pressão sobre os preços.
Nesse sentido, o gerenciamento de riscos é essencial para a proteção contra as flutuações de preços nesse mercado. Com instrumentos de hedge eficazes, os produtores podem usar mecanismos como os derivativos agrícolas.
A hEDGEpoint realiza o hedge em commodities com uma presença global e um olhar local para as particularidades de cada setor. Oferecemos mais de 450 produtos financeiros personalizados para agricultores, cooperativas, indústrias e comerciantes de commodities em todo o mundo.
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Fenômeno El Niño no Brasil: entenda os principais efeitos no mercado de commodities
O ciclo de verão 2023/2024 começou marcado pela atuação do fenômeno El Niño no Brasil. A condição é caracterizada pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial e persiste por períodos variados.
Os efeitos do fenômeno afetam o mercado de commodities. Afinal, as alterações nas condições climáticas podem influenciar a oferta e demanda de diversos produtos agrícolas.
Nesse sentido, torna-se importante compreender quais os principais impactos desencadeados no desenvolvimento de culturas como soja, milho, café e açúcar. A produção dessas commodities é relevante não só para o país, mas para todo o globo.
Além disso, o gerenciamento de riscos exerce um papel significativo para proteger da volatilidade de preços. Convidamos Natália Gandolphi, Analista de Inteligência de Mercado da hEDGEpoint, para explicar os principais desdobramentos do fenômeno El Niño no setor de commodities brasileiro.
Acompanhe a leitura e confira!
Quais são as previsões do fenômeno El Niño no Brasil?
Em janeiro, o El Niño apresenta picos de intensidade no verão brasileiro:
“No Brasil, o fenômeno se associa a condições mais secas em algumas regiões, como o Nordeste, e ao aumento das temperaturas durante o verão”, pontua Natália Gandolphi.
Abaixo, explicamos em detalhes as principais previsões climáticas do El Niño. Confira!
1. Sul com chuvas
O verão deve apresentar volumes de chuva acima da média. No oeste da região, as precipitações serão maiores em janeiro e fevereiro.
A estação deve ser bastante abafada, principalmente entre o norte dos três estados, com a chuva intensificada devido ao calor e à alta umidade.
2. Calor e chuvas irregulares no Centro-Oeste
A irregularidade caracteriza as chuvas no Centro-Oeste durante todo o verão. A menor quantidade de canais de umidade intensos desfavorece as chuvas regulares.
No Mato Grosso e oeste do Mato Grosso do Sul, a expectativa é de chuvas abaixo da média histórica até março. As temperaturas devem registrar grande calor, principalmente no norte e oeste de Mato Grosso, com grande chance de ondas de calor no estado brasileiro que é líder na produção da soja.
3. Ondas de calor no Sudeste e Nordeste
O verão será mais quente e abafado em ambas as regiões, quando comparado ao ano anterior. Os meses de janeiro e fevereiro devem registrar chuvas frequentes no Sudeste, em razão do calor e da umidade.
Em Minas Gerais, as chuvas serão bastante irregulares. Ondas de calor podem ocorrer, com foco no centro-leste de Minas, Espírito Santo e Rio de Janeiro, nos meses entre janeiro e fevereiro.
No Nordeste, as temperaturas devem ser mais altas do que o normal em todas as áreas, especialmente no sul do Piauí e centro-leste da Bahia. Uma das principais características do fenômeno é a ausência de chuvas na região.
4. Norte se recupera da seca extrema de 2023
No Norte, as temperaturas devem ser acima da média no verão, com calor intenso no Pará. Já a expectativa é de chuvas abaixo da média, embora haja a tendência de que o volume dos rios aumente aos poucos.
No leste e norte da Amazônia, o fenômeno El Niño no Brasil tem um impacto maior. A seca recorde de 2023 pode dar lugar à rápida subida do nível dos rios amazônicos nos próximos meses.
Leia também:
- A influência dos fenômenos climáticos no mercado de commodities
Como o fenômeno El Niño no Brasil afeta o mercado de commodities?
Segundo Natália Gandolphi, as lavouras da primeira safra, como milho e soja, devem ser impactadas pelo clima em todas as regiões neste verão. Assim, o fenômeno pode afetar o plantio e desenvolvimento das culturas.
● Café
Para o café, o El Niño alterou as temperaturas e o regime de chuvas, principalmente entre a metade de novembro e a metade de dezembro.
“Como a safra ainda está em desenvolvimento, o efeito total dessas anomalias ainda é incerto. Porém, o fenômeno influenciou os regimes climáticos do Sudeste e Nordeste e modificou condições ideais para o desenvolvimento da safra 24/25 de café no Brasil”, pondera a Analista de Inteligência de Mercado da hEDGEpoint.
Além disso, o El Niño interferiu na produção de café arábica da América Central no passado. “Isso acontece porque ele leva a um clima mais quente durante a florada e crescimento do fruto”, destaca Gandolphi.
● Grãos
No caso dos grãos, o El Niño apresentou consequências negativas na produção do Centro-Norte, o que causou uma quebra de safra.
“Quando se trata de soja e milho, precisamos observar Estados Unidos, Brasil, Argentina e Mar Negro. Dada a grande extensão desses países e a diferença no calendário de safras, os efeitos do fenômeno variam amplamante”, explica Natália Gandolphi.
Nos Estados Unidos, por exemplo, o El Niño costuma ser mais fraco no verão. Logo, seus impactos sobre a produtividade são leves. Já na América do Sul, ele traz calor para a maior parte do Brasil, com chuvas acima da média no Sul do país. Na Argentina, as chuvas têm a tendência de se intensificar no final de ano.
“Assim, o evento costuma ser negativo para o milho de inverno, mas positivo para soja e milho no Sul do Brasil e na Argentina durante o verão”, elucida Gandolphi.
● Açúcar
Durante a janela mais importante de desenvolvimento da cana, entre dezembro e fevereiro, pode haver repercussões desencadeadas pelo El Niño.
“O padrão climático apresenta risco de induzir uma redução na precipitação do Centro-Sul. Em especial, no Norte de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. Apesar dessa possibilidade, a correlação é menor”, explica a Analista de Inteligência de Mercado da hEDGEpoint.
- Leia mais: Você sabe qual o papel de um time de inteligência de mercado para o gerenciamento de risco?
Segundo semestre de 2024 com chance de La Niña
Há a possibilidade de formação do La Niña no segundo semestre de 2024, o que também já desperta a atenção do mercado de commodities como um todo.
Entre os principais efeitos de um La Niña ativo de junho a agosto, há o tempo mais frio na América Central, com fortes chuvas. Áreas na América do Sul também sofrem com o clima mais frio, além de uma estação mais seca no Sul do Brasil, Uruguai e Argentina.
Na segunda metade do ano, para a América do Sul, geralmente há um clima quente e seco. No Sul dos Estados Unidos, o fenômeno traz seca durante o inverno. Há também riscos de aumentar as chuvas de monção na Índia.
Desde já, devemos acompanhar as previsões e monitorar seus possíveis impactos para o mercado de commodities.
Qual o papel do gerenciamento de riscos neste cenário?
O gerenciamento de riscos não pode evitar intempéries climáticas. Porém, as ferramentas de hedge contribuem para proteger da volatilidade de preços que ocorre com as variações de oferta e demanda devido ao clima adverso.
“A interação entre clima e mercados futuros de commodities é crucial, pois repercute na volatilidade, o que altera os preços desses ativos. A incerteza associada às condições climáticas leva a uma maior especulação nesses mercados”, explica Natália Gandolphi.
Por conseguinte, os traders buscam antecipar e reagir rapidamente em relação às mudanças nas previsões climáticas. O objetivo é obter vantagens das flutuações nos preços. Simultaneamente, produtores e comerciantes utilizam contratos futuros para gerenciar o risco associado às condições climáticas.
“Devido à influência significativa do clima no mercado de commodities, a disponibilidade de informações climáticas precisas e oportunas faz toda a diferença. Com esses dados, os participantes do mercado tomam decisões mais bem informadas”, explana Gandolphi.
Portanto, torna-se imprescindível contar com um parceiro que entenda todas as movimentações que podem afetar esse setor. Nesse sentido, a hEDGEpoint alia produtos de hedge em commodities, análise de dados e inteligência de mercado.
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Panorama geral para commodities agrícolas e energéticas em 2024
Todo início do ano, um assunto predomina: as perspectivas das commodities em 2024 no Brasil. Afinal, o país é um dos produtores mais importantes, contribuindo para a segurança alimentar em todo o planeta.
Sendo assim, torna-se essencial acompanhar as dinâmicas que podem afetar o setor. Entre elas, destacamos fatores relacionados à macroeconomia e geopolítica, pois apresentam riscos de provocar volatilidade no mercado de commodities a nível local e global.
Nesse sentido, o time de inteligência de mercado da hEDGEpoint analisou alguns pontos relevantes para o mercado de commodities em 2024, que foi apresentado no Webinar Outlook 2024.
Continue a leitura, saiba mais sobre o assunto e também descubra como assistir ao evento na íntegra!
Commodities em 2024: entenda quais aspectos acompanhar
Abaixo, confira os principais acontecimentos que os nossos profissionais apontaram para o setor agro acompanhar de perto neste ano.
1. Macroeconomia
Nos Estados Unidos, a previsão aponta para a convergência dos preços em direção à meta estipulada após um processo desinflacionário custoso. O cenário restritivo não resultou em recessão, o que permitirá ao Federal Reserve iniciar um corte nas taxas de juros neste ano.
Apesar das eleições, a resistência histórica do mercado norte-americano à volatilidade política pode se manter. Porém, os cortes de juros nos EUA podem ter um impacto limitado sobre os rendimentos dos títulos públicos americanos. Isso ocorre dado o alto déficit público e os riscos geopolíticos globais.
No caso da Europa, destaca-se a capacidade de controlar a inflação sem grande impacto na atividade econômica. Além disso, há a provável postura mais hawkish do ECB (frente o Fed) ao longo de 2024.
No Brasil, a economia surpreendeu positivamente em 2023, com um desempenho excepcional na balança comercial. Contudo, espera-se que o equilíbrio fiscal continue sendo um desafio em 2024.
Enquanto isso, na China, a relativa fraqueza da atividade econômica e as pressões deflacionárias persistentes merecem atenção. O país também sofre com a desvalorização da moeda devido às altas taxas de juros nas principais economias globais.
Leia também:
- Taxa de juros e variação cambial: entenda a relação e impactos
- Um ano de alta de juros – Revisão e Perspectivas
2. Mercado da soja
A soja é a principal commodity do agro brasileiro. Espera-se uma safra menor do que a prevista inicialmente no Brasil: a última estimativa da hEDGEpoint aponta uma produção de 154 milhões de toneladas. No começo da temporada, as projeções indicavam mais de 160 milhões de toneladas.
Soja Brasil – Produção (M ton)
Fonte: hEDGEpoint, Conab
No cenário internacional, os seguintes fatores compõem a perspectiva para o mercado da soja em 2024:
- Recuperação da safra argentina.
- Redução da produtividade nos Estados Unidos.
- Retração leve da demanda chinesa.
O clima será outro fator chave para os produtores de soja no Brasil. Portanto, poderá afetar a oferta e demanda do país.
3. Mercado do milho
Assim como a soja, o milho apresenta balanços globais mais confortáveis. É fundamental monitorar a demanda chinesa da commodity, que vem em queda na safra 2023/24.
Milho China – Importações (M ton)
Fonte: Alfândega da China
Devido às adversidades do clima, o Brasil deve produzir 117 milhões de toneladas no ciclo atual. Esse número contraria as expectativas iniciais, que apontavam até 133 milhões de toneladas.
Milho Brasil – Produção (M ton)
Fonte: hEDGEpoint, Conab
Nos Estados Unidos, o cereal ganhou área em detrimento da soja nos últimos anos. Mas, as intenções de plantio para a nova safra norte-americana ainda são incertas e devem ser divulgadas em breve. Devemos acompanhar esse cenário, pois a competitividade do país apresenta chance de alterar os preços brasileiros no mercado externo.
Área Plantada com Milho e Soja nos EUA vs Razão Soja Novembro/Milho Dezembro (M ac)
Fonte: USDA, hEDGEpoint
4. Mercado do trigo
A relação estoque/uso mundial do trigo é a mais apertada desde 13/14. Praticamente todos os principais países produtores apresentaram safras menores em relação ao ano anterior.
A oferta significativa da Rússia e o cenário de altas taxas de juros influenciam uma tendência baixista no mercado de trigo, possível de persistir em 2024. Antecipa-se uma grande safra de inverno russa, com a produção total superando 90 milhões de toneladas.
Enquanto a Ucrânia prevê uma safra um pouco acima de 20 milhões de toneladas, nos Estados Unidos, o risco de winterkill pode impactar a safra, mas as condições, em geral, seguem favoráveis.
Portanto, o mercado brasileiro de trigo deve acompanhar os desdobramentos globais da produção, com atenção ao clima local e mundial. Se o clima for favorável ao desenvolvimento das safras, deve-se observar uma continuação da tendência baixista nos preços. Entretanto, o clima adverso pode induzir a uma mudança na tendência atual.
Estoques finais mundiais de trigo e estoque/uso (M mt)
Fonte: USDA
5. Açúcar
Atualmente, o mercado global do açúcar está em um equilíbrio delicado. Logo, quaisquer alterações na oferta ou demanda podem disparar os preços.
Considerando-se um clima mais seco para os próximos meses, o Centro Sul do Brasil deve moer a maior parte da sua disponibilidade de cana. A expectativa é de produção recorde de açúcar: 42,4 milhões de toneladas. Desse número, 33,5 milhões de toneladas devem ser exportadas.
No Brasil, a boa produção esperada pode ser capaz de resolver o déficit dos fluxos comerciais por conta própria e manter a força de baixa. Caso o clima continue favorável, podemos ver a mesma faixa de negociação por um tempo.
Já o Hemisfério Norte apresenta quebra na produção, com a Índia fora do mercado. A Tailândia está mais uma vez com menor disponibilidade devido ao clima adverso. A partir do terceiro trimestre do ano, o surgimento do La Niña merece atenção, já que pode ser crucial para a recuperação na região.
6. Café
No mercado de café, a redução potencial da produção brasileira tanto de arábica quanto de conilon poderá puxar os preços para cima. Além disso, o conflito no Mar Vermelho atrasa embarques da mercadoria.
Os estoques também estão historicamente baixos, com déficit de café robusta, que fortalece a tendência de alta nos preços. O Vietnã, principal país produtor, apresentou menor produção devido à redução da área e ao clima irregular.
Entretanto, a demanda aumentou durante o mesmo período. No contexto atual, o Vietnã é capaz de fornecer a menor parcela de robusta para atender à demanda do mercado em mais de 16 anos.
Como possíveis pontos de baixa de preços do café, existem preocupações em relação à safra 25/26 devido à possível formação do La Niña no começo do segundo semestre.
7. Mercado de energia
O conhecimento das perspectivas do mercado de energia é de extrema importância para o setor agro, pois a agricultura depende de recursos energéticos. Compreender as tendências deste mercado permite que os profissionais do agronegócio tomem decisões mais bem informadas.
Nesse sentido, o primeiro ponto de destaque é o fato de que a produção de energia vem crescendo, mas a demanda não acompanha seu ritmo. Os países não pertencentes à OPEP+ contribuem cada vez mais para o aumento do suprimento energético. Portanto, há riscos baixistas razoáveis para o futuro.
Outro aspecto relevante diz respeito à China, país que deve impulsionar a demanda por petróleo em 2024. Contudo, espera-se que o menor crescimento econômico da nação chinesa limite essa expansão, bem como o investimento em combustíveis não fósseis.
O conflito entre Israel e Hamas introduziu uma volatilidade significativa no mercado, com mais navios evitando a rota do Mar Vermelho, o que tem alimentado sentimento altista, principalmente para o mercado energético europeu. O Brasil precisa acompanhar de perto as repercussões.
Balanço mundial de petróleo bruto e combustíveis líquidos (milhões de bpd)
Fonte: EIA
Embora o mercado do petróleo enfrente desafios, a Opep+ deve continuar como um agente ativo na defesa da estabilização dos preços.
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Como você percebeu, inúmeros fatores podem gerar volatilidade na produção do agro brasileiro em 2024. O mercado de commodities requer uma análise contínua e aprofundada, a fim de que toda a cadeia possa prever as tendências e se proteger dos riscos.
Para isso, faz toda a diferença contar com o hEDGEpoint HUB. Em nossa plataforma educativa, você confere as análises completas do time de inteligência de mercado da hEDGEpoint.
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Mercado de café: principais tendências para 2024
Em 2024, o mercado de café segue marcado por diversos fatores que influenciam a oferta e demanda das suas duas principais variedades, o café robusta e o café arábica. Ambos apresentam particularidades e diferenças importantes relacionadas à produção e ao consumo a nível global.
Problemas relacionados à logística de exportação e aos desafios climáticos são algumas das questões que preocupam os participantes desse setor. Porém, há perspectivas de oportunidades para países como o Brasil, com a possibilidade de ganhar ainda mais destaque no mercado de café.
No Webinar Outlook 2024, o time de inteligência de mercado da hEDGEpoint apresentou os pontos relevantes para se compreender as tendências dessa commodity. Pensando nisso, reunimos aqui os apontamentos que você precisa estar a par.
Nosso objetivo é contribuir com análises fundamentais para o gerenciamento de riscos dos negócios. Boa leitura!
Qual a dinâmica de oferta e demanda global do mercado de café?
Atualmente, o mercado de café segue com dois cenários. De um lado, o robusta apresenta o seu terceiro ano de déficit, com uma produção menor em sua principal origem, o Vietnã. Nos últimos anos, essa é a variedade preferida dos consumidores devido ao seu custo-benefício.
Por outro lado, o arábica se recupera lentamente das quebras consecutivas de safras entre 19/20 e 22/23. A recuperação da produção brasileira foi essencial para isso e levou a balança a um superávit pequeno, mas presente.
NY Arábica (c/lb), LN Robusta (USD/mt), Índice de commodities da Bloomberg, Dólar Índice

Fontes: ICE, Refinitiv, Bloomberg
A primeira vez que o Vietnã teve uma quebra de safra significativa foi no ciclo de 07/08, com uma produção 23% menor do que no ciclo anterior. Nesse período, já ocupava um papel de protagonismo, correspondendo a 15% da produção global.
Nos ciclos recentes, a produção vietnamita diminuiu devido à menor área e ao clima irregular. Contudo, a demanda aumentou durante o mesmo intervalo de tempo, o que colocou o país em uma situação delicada. Só para você ter ideia da dimensão, hoje, a capacidade de fornecimento de café robusta do país é a menor em 16 anos.
Em síntese, os estoques globais de robusta nos destinos ainda não recuperaram os níveis anteriores a 17/18. O arábica, por sua vez, conseguiu fazer isso nesse meio tempo.
Porém, a grande questão é se haverá recuperação dos estoques de robusta e, caso não haja, se a recuperação do arábica será suficiente para empurrar a arbitragem para baixo. O balanço global de café é deficitário em 23/24, com estoques baixos, conforme o gráfico a seguir.
Estoques nos destinos – Arábica, Robusta e Total (M sacas)
Fonte: hEDGEpoint
- Leia também: A lei da oferta e da demanda e a formação dos preços
Quais fatores podem afetar os preços do mercado de café em 2024?
Existem fatores-chave que podem impactar os preços do mercado de café em 2024. Abaixo, explicamos cada um deles para você.
● Fenômenos climáticos: atual El Niño e potencial La Niña
O atual El Niño impacta o mercado de café. Tanto os ciclos 13/14 e 15/16 de produção do café arábica e do robusta sofreram os efeitos do fenômeno. Após 5 anos de superávit na produção global, o balanço passou a ser negativo, de – 5,62 milhões de sacas.
Embora ainda possa haver consequências na safra 24/25 em países como Brasil, Indonésia e Peru, a tendência é de um El Niño mais breve. Comparado à última década, deverá durar cerca de 11 meses, contra 15 meses já registrados nos últimos 10 anos.
Na última vez em que o café arábica se recuperava do El Niño, os níveis de arbitragem atingiram os níveis mais baixos da história recente. Enquanto isso, o café robusta alcançava a marca de três déficits consecutivos, o que causou um cenário problemático nos estoques.
Em relação ao La Niña, os rendimentos apresentaram um desempenho inferior, em aproximadamente 5%, comparado aos anos em que o fenômeno esteve ativo durante o desenvolvimento da safra. Há a perspectiva de que o fenômeno retorne em 2024, o que requer a nossa atenção.
Rendimento total do café – Brasil (sacas/ha)
Fonte: Conab
- Leia aqui: A influência dos fenômenos climáticos no mercado de commodities
● Geopolítica
O conflito no Mar Vermelho é um dos grandes desafios geopolíticos para o mercado do café. Há quase 3 meses, autoridades globais e agentes econômicos não desviam o foco dessa região. Afinal, é a rota mais rápida que liga a Ásia à Europa pelo Canal de Suez, responsável por cerca de 12% de todo o tráfego marítimo do planeta.
As movimentações no Mar Vermelho se originaram a partir das investidas da milícia iemenita Houthi, aliada do Irã, contra cargueiros que navegavam na região. O resultado? Muitos efeitos imediatos nos preços dos fretes marítimos. Os ataques começaram direcionados, mas estão se tornando mais abrangentes.
Entre as principais consequências, as tarifas dos contêineres transpacíficos aumentaram 56%, o que afeta vários setores. Além disso, o conflito pode arrasar 36% das exportações globais de café no primeiro trimestre de 2024.
A escalada repercute também nos preços do café robusta, com redução da arbitragem entre Nova York e Londres. Outro fator é que esse cenário poderá incentivar o aumento das exportações do Brasil e de Uganda.
WCI Taxa spot de contêineres ($/FEU)

Fonte: Bloomberg, WCI
● Perfil da demanda nos destinos
Com o atual déficit de robusta e incertezas no curto prazo, os destinos poderão se voltar cada vez mais para o arábica. Porém, o saldo global de café permanece deficitário no ciclo 23/24, com estoques reduzidos nos últimos anos. Nesse sentido, será necessário monitorar o comportamento da demanda.
Porcentagem de Arábica no total das importações – UE (%) Arbitragem NY-LN (c/lb)

Fonte: ICE, Refinitiv, Eurostat
- Leia mais: Tendências de consumo do café e impactos no mercado da commodity
O que esperar do Brasil no mercado de café em 2024?
Tendo em vista as tendências apresentadas, o Brasil poderá desempenhar um papel significativo na oferta global. A safra 24/25 de café tem boas expectativas, após a produção ainda não ter voltado ao padrão tradicional de bienalidade positiva. Isso ocorreu devido à seca de 2020/2021 e à geada que limitou o potencial de 22/23 e 23/24.
No momento, os níveis de precipitação aumentaram, principalmente em janeiro. A seca marcou o fim de novembro até a terceira semana de dezembro. Mesmo assim, a melhora das chuvas não foi uniforme em todas as cidades produtoras.
Logo, uma boa safra de café em 24/25 no Brasil será fundamental para mudar o sentimento dos preços sustentados. Com a perspectiva de melhora das chuvas e otimismo no desenvolvimento do próximo ciclo, o país poderá ser protagonista nas exportações de café.
hEDGEpoint: inteligência de mercado para analisar todas as movimentações do mercado de café
Muitos fatores podem influenciar o mercado de café em 2024 e provocar volatilidade nos preços, como a geopolítica e o clima. Portanto, contar com instrumentos de hedge para gerenciar os riscos faz toda a diferença neste setor.
Na hEDGEpoint, aliamos inteligência de mercado a produtos de hedge sofisticados. Nosso time de profissionais conhece profundamente o mercado de café e acompanha todas as movimentações capazes de impactá-lo.
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Volatilidade no mercado de commodities em 2024
A volatilidade no mercado de commodities ocorre devido às mudanças na oferta e demanda desses produtos. Fatores como guerras, eleições e clima, por exemplo, podem desencadear variações significativas nos preços, repercutindo local e globalmente.
Em 2024, há desafios macroeconômicos e geopolíticos que merecem atenção, pois apresentam risco de influenciar as cotações de commodities. Nesse sentido, torna-se essencial contar com análises de inteligência de mercado e instrumentos de hedge para proteger os negócios da volatilidade.
Pensando nisso, convidamos Luiz Carvalho, Senior Trader da hEDGEpoint Global Markets, para falar sobre o assunto. Você irá compreender:
- As tendências macroeconômicas e geopolíticas de volatilidade das commodities.
- O comportamento de volatilidade das principais commodities.
- O papel do gerenciamento de riscos do hEDGEpoint HUB.
Boa leitura!
Tendências macroeconômicas e geopolíticas de volatilidade no mercado de commodities
O cenário macroeconômico é um dos mais complexos, segundo Carvalho. Precisamos observar a realidade dos Estados Unidos, afinal, o país é um dos principais produtores de commodities do mundo:
“Surpreendentemente, o mercado de trabalho norte-americano tem sido bastante resiliente: a taxa de desemprego está em torno de 3,7%. Por sua vez, a non-farm payroll alcançou os níveis mais altos de todos os tempos, mesmo depois de um ano marcado pelo aumento da taxa de juros acima de 5%”, pontua Carvalho.
O elevado crescimento da taxa de juros estadunidense permitiu o controle da inflação, que se estabilizou em torno de 3,5% nos últimos seis meses. Porém, a pressão para cortes nos juros apenas começou. Em 2024, espera-se um corte total de 150 pontos-base nos juros ao longo do ano, mas os esforços continuarão para trazer a inflação à meta de 2%.
Evolução do Consumer Price Index – CPI (Índice de Preços ao Consumidor, tradução da sigla em inglês)

Fonte: U.S. Bureau of Labor Statistics
Em relação ao contexto geopolítico, Carvalho destaca que há duas tensões que permanecem em 2024:
- Guerra na Ucrânia: não houve progresso recente para um cessar-fogo. Contudo, a Ucrânia voltou a exportar muito trigo e milho. Essa é uma medida extremamente crucial para estabilizar a oferta e demanda mundial e contribuir na redução da volatilidade dos preços e da inflação.
- Conflito Israel e Hamas: está no radar dos participantes do mercado de commodities, com risco de gerar volatilidade de preços em setores como o de energia.
”Além disso, há a possibilidade de novos conflitos no Oriente Médio, na Ásia (entre China e Taiwan) e no Leste Europeu. Devemos observar a situação nessas regiões de perto”, destaca o Senior Trader da hEDGEpoint.
Entenda o comportamento de volatilidade das principais commodities
Analisar o comportamento de volatilidade das principais commodities, em 2023, é essencial para a tomada de decisões mais bem informadas em 2024. Portanto, a hEDGEpoint verificou quais foram os padrões mais notáveis e que podem gerar insights importantes.
De acordo com Carvalho, o mercado de grãos tem um comportamento de volatilidade característico: todos os anos, começa tímido e depois se intensifica. Isso ocorre principalmente quando o momento climático é crucial, entre o período de junho a agosto. No final do ano, há um alívio novamente.
“Esse padrão se aplica ao milho, complexo soja e trigo. O café, por sua vez, apresentou um ano mais atípico, com picos de volatilidade em maio e dezembro. Já o petróleo segue a agenda geopolítica”, pondera Luiz Carvalho.
Sazonalidade da volatilidade implícita da soja

Fonte: U.S. Bureau of Labor Statistics
Em 2024, a hEDGEpoint aponta uma boa safra de grãos na América do Sul, impulsionada pela recuperação da Argentina no mercado da soja. Uma das razões para isso é o fato de que o El Niño surtiu efeitos positivos no regime de chuvas de importantes áreas produtoras. Desse modo, haverá equilíbrio na oferta do Hemisfério Sul, mesmo diante de um cenário de menor produção no Brasil.
Quais eventos geraram maior volatilidade no mercado de commodities em 2023?
Após meses consecutivos de aumento nas taxas de juros dos Estados Unidos e retirada de dinheiro de empresas e startups, o saldo dos bancos foi comprometido. Por conseguinte, esse foi o período de maior volatilidade das commodities no ano passado.
Só para você ter ideia, a empresa controladora do Silicon Valley Bank entrou com pedido de falência. Já o UBS comprou o Credit Suisse para evitar a falência e o colapso do sistema bancário suíço. Nesse contexto, o FED interveio para proteger todos os depositantes, o que interrompeu o efeito cascata na economia.
“Em 2023, a eclosão do conflito entre Israel e Hamas causou o segundo momento de maior volatilidade no mercado de commodities. A escalada da guerra para diferentes regiões dependerá das motivações de todas as partes envolvidas em relação a um possível cessar-fogo”, explica Carvalho.
Desse modo, a macroeconomia permanecerá com a tendência de instabilidade em 2024.
- Leia também: Como a volatilidade impacta o mercado de commodities?
hEDGEpoint HUB: conheça a nossa plataforma de gestão de riscos
Conhecer as tendências macroeconômicas e geopolíticas, além do comportamento de preços das commodities, faz toda a diferença para se proteger da volatilidade. No hEDGEpoint HUB, você tem recursos para compreender profundamente todas as dinâmicas que podem impactar esse mercado.
Essa é a plataforma educativa da hEDGEpoint, perfeita para quem deseja começar a gerenciar riscos no mercado de commodities. Nela, você encontra análise de dados, relatórios de inteligência de mercado e insights que possibilitam operar commodities e aplicar o hedge com maior assertividade.
Adaptado para diferentes níveis de conhecimento, o hEDGEpoint HUB transforma riscos em oportunidades. O melhor é que todos têm acesso a uma experiência gratuita de 30 dias. Acesse agora e confira!
Compra de insumos: confira dicas de como planejar
Quem atua no mercado de commodities sabe que a compra de insumos é um momento muito importante. Afinal, recursos como fertilizantes e sementes são essenciais para otimizar o sistema produtivo dos cultivos.
Além disso, eles representam uma parte significativa das despesas. Nesse sentido, produtores que realizam o planejamento das compras podem se beneficiar consideravelmente.
Entre as iniciativas, o planejamento estudado da aquisição dos insumos somado aos instrumentos de hedge para a comercialização da safra contribuem para proteger as margens do negócio contra a volatilidade. Quer saber um pouco mais sobre o gerenciamento da compra de insumos na prática?
Acompanhe a leitura e descubra!
Dicas para a gestão da compra de insumos
Elaborar um plano de compras com antecedência faz toda a diferença para garantir a disponibilidade dos insumos necessários na produção de determinada commodity. Além disso, torna-se viável encontrar as melhores condições de preços e prazos.
A gestão equivocada pode comprometer todo o desempenho da produção e ocasionar perdas. Para que isso não aconteça, selecionamos 4 dicas de planejamento para a compra de insumos agrícolas. Confira abaixo!
1. Estude dados de safras passadas
Você precisa analisar detalhadamente como foi a compra de insumos das últimas safras. Assim, consegue-se entender as quantidades necessárias para conquistar a produtividade almejada.
Identifique também se a compra anterior foi em excesso ou se realmente tinha a qualidade desejada. Desse modo, há uma maior precisão antes de fazer o pedido.
2. Pesquise diferentes fornecedores
Para adquirir os insumos, é essencial conhecer bem os fornecedores. Uma dica valiosa é verificar se a empresa é idônea e com boas recomendações no mercado.
Também, leve em consideração a localização do fornecedor, pois os custos do frete podem impactar as receitas. Compare preços e tente obter descontos ao negociar com antecedência.
3. Observe questões de qualidade e condições de pagamento
A qualidade do produto é outro diferencial: busque avaliações de outros compradores. Por isso, determine critérios de qualidade que devem ser satisfeitos para cada insumo.
Observe aspectos como garantia e composição. Sempre confira também se o fornecedor está devidamente registrado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
Em relação aos métodos de pagamento, pode ocorrer de o produtor rural perder a negociação por não ter capital suficiente na hora da compra. Uma alternativa para evitar isso é o barter, em que o produtor assegura a aquisição do insumo agrícola. Em troca, ele se compromete em entregar parte de sua produção futura.
Leia o nosso artigo completo para compreender todos os detalhes sobre o assunto: Entenda o que é barter no mercado de commodities.
Além disso, o melhor momento para a compra costuma ser quando há queda dos preços do insumo, principalmente quando moedas como o dólar estão em baixa.
Saiba mais:
- Como o valor dos insumos afeta a produção agrícola?
4. Realize o gerenciamento do estoque com eficiência
Diversos insumos podem ser necessários para os produtores de grãos, como medicamentos, alimentos, fertilizantes e defensivos. Cada um requer cuidados específicos, lembre-se disso.
O gerenciamento do estoque é, portanto, uma etapa crucial. Atente-se a questões que incluem:
- Prazos de validade.
- Temperatura recomendada de armazenamento.
- Resistência à umidade.
Para o gerenciamento do estoque adequado, é fundamental registrar a quantidade de cada produto, qual foi a data de chegada, média de consumo e quantidade aplicada semanalmente.
Para evitar desperdícios e acúmulo de insumos, use primeiro aqueles com vencimento mais próximo. Tenha em mente que a estocagem incorreta gera perdas financeiras. Por isso, avalie minuciosamente a questão logística do seu espaço.
- Leia mais: Armazenamento de grãos no Brasil: entenda o problema
Entenda como compra de insumos, comercialização da safra e hedge se relacionam no seu negócio
No Brasil, a compra dos insumos para o ciclo de verão 2023/24 está na fase final nas principais regiões produtoras de grãos do país. Porém, a compra foi mais lenta do que na safra anterior, pois muitos produtores esperavam recuo no preço dos fertilizantes.
Apesar de isso acontecer, a queda nos valores foi menos intensa do que o esperado. Pense que os insumos estão sujeitos a variações nos preços, influenciadas por fatores como condições climáticas, demanda global e mudanças cambiais. Da mesma maneira, o preço das commodities colhidas ao final da safra também passa por variações de preço, devido aos mesmos fatores climáticos e geopolíticos.
Portanto, o objetivo de um produtor para maximizar as suas margens é comprar os insumos pelo menor preço e vender os produtos colhidos pelo maior preço. Uma vez definido o preço de aquisição dos insumos, cabe ao produtor otimizar o preço de venda das suas commodities.
Ao utilizar ferramentas de hedge para essa comercialização, os agricultores podem se proteger da volatilidade de preços. Assim, conseguem obter uma receita maior do que os custos definidos e garantem uma certa previsibilidade nas margens do negócio.
Normalmente, o hedge envolve a realização de contratos futuros ou opções que fixam um preço para a comercialização dos produtos agrícolas em uma data futura. Isso permite que os produtores definam um valor aceitável, independentemente das flutuações de mercado.
Ao adotar essa abordagem, mitigam-se os riscos de que os custos superem as receitas. Dessa forma, os produtores podem planejar de maneira mais eficaz a safra, o que contribui para a estabilidade financeira e sustentabilidade de suas operações agrícolas.
hEDGEpoint: gestão de riscos para produtores do mercado de commodities
A gestão de riscos é importante para os produtores protegerem as margens do seu negócio, diante de um cenário de alta nos preços dos insumos. Fertilizantes, sementes e defensivos estão sujeitos a variações significativas, como no caso da iminência de conflitos políticos, mudanças no clima e demais fatores de volatilidade.
A hEDGEpoint oferece produtos de hedge sofisticados para ajudar nesse objetivo. Aliando análises de dados e insights do time de inteligência de mercado, capacitamos produtores que ganham uma base sólida para a tomada de decisões assertivas.
Fale com um profissional da hEDGEpoint para saber como podemos atuar no seu negócio!
Importância da irrigação na agricultura 4.0
A importância da irrigação é um tema bastante debatido entre os produtores rurais. Essa técnica traz vantagens e contribui até mesmo para a sustentabilidade e a segurança alimentar do planeta.
Hoje, o Brasil tem 8,2 milhões de hectares irrigados, mas pode aumentar essa parcela para até 55 milhões de hectares, segundo o Atlas Irrigação. A expansão das áreas brasileiras com irrigação deverá ser de mais 4,2 milhões de hectares até 2040.
Por ser uma tecnologia extremamente relevante, a irrigação passou a integrar as práticas de agricultura 4.0 e se tornou uma aliada no desenvolvimento do país. Com ela, aumenta-se a produtividade da fazenda, visando à otimização do uso de recursos naturais, o que potencializa resultados no mercado de commodities agrícolas.
Quer saber mais sobre esse assunto? Continue a leitura!
O que é irrigação e quais os seus objetivos?
A irrigação engloba práticas capazes de aplicar água de modo artificial nas plantas. Portanto, refere-se aos métodos, equipamentos e sistemas utilizados para oferecer a quantidade de água e umidade necessárias em uma determinada cultura.
Entre os principais objetivos da irrigação, destacamos:
- O propósito de suprir a demanda hídrica das plantas quando as condições climáticas não fornecem água suficiente. Assim, as culturas se desenvolvem, independentemente dos desafios do clima.
- A programação e o controle do fornecimento de água, o que possibilita uma distribuição uniforme e eficiente e menor desperdício.
- Reduzir os estresses hídricos e aumentar o rendimento das plantações.
- Maximizar a produção e minimizar custos para produtores.
Leia também: Como o valor dos insumos afeta a produção agrícola?
Como a irrigação se insere no contexto da agricultura 4.0?
Agora que você já entendeu sobre irrigação, vamos explicar o que é a agricultura 4.0, também chamada de quarta revolução da agricultura. Esse é um conceito que busca trazer novas técnicas para otimizar a produção do campo de maneira sustentável.
Com a agricultura 4.0, o produtor consegue melhorar a gestão técnica, operacional e financeira do seu negócio. Para obter os seus benefícios, será imprescindível o planejamento correto e o investimento em tecnologia para aprimorar processos produtivos como a irrigação.
Afinal, a atividade agrícola consome cerca de 30 trilhões de litros de água por ano no Brasil, segundo o Atlas Irrigação. Para promover maior eficiência e reduzir desperdícios, as empresas investem em alternativas que possibilitam a gestão e integração de dados, como:
- Uso de sensores e aplicações em nuvem para monitorar o solo em tempo real e obter informações sobre temperatura, umidade e salinidade. Desse modo, sabe-se o exato momento para adicionar a irrigação quando realmente é necessário.
- Softwares, sistemas e equipamentos que geram materiais como mapas agrícolas com análise do clima e diagnósticos detalhados. Assim, o produtor tem ferramentas que facilitam a tomada de decisões acerca do manejo da lavoura.
- Drones para captar imagens que contribuem na identificação de pragas, falhas de plantio e demais questões relevantes, o que permite a solução rápida dos problemas.
Ao integrar a irrigação às práticas de agricultura 4.0, produtores de pequeno, médio e grande porte conquistam uma gestão mais eficaz das atividades agrícolas. Logo, ganham competitividade no mercado a nível internacional.
- Leia também: O que é safra, safrinha e entressafra? Entenda as diferenças!
Qual a importância da irrigação na agricultura 4.0?
Na agricultura 4.0, a importância da irrigação consiste justamente em englobar estratégias para aumentar a eficiência do seu uso, visando à melhora da segurança hídrica e energética. A partir disso, diversos benefícios podem ser obtidos. Listamos os principais em seguida!
● Garantia de suprimento hídrico
Em muitas regiões, as chuvas são insuficientes ou ocorrem de maneira irregular para atender às exigências hídricas das culturas. A irrigação permite a disponibilidade constante de água. Desse modo, assegura o crescimento saudável das plantas durante todo o ciclo de cultivo.
- Leia aqui: A influência dos fenômenos climáticos no mercado de commodities
● Aumento da produtividade
A irrigação impulsiona a produção agrícola ao permitir múltiplos ciclos de cultivo em um mesmo ano. Sendo assim, proporciona condições para o desenvolvimento das plantas, inclusive em locais em que a água é um fator limitante no rendimento da safra.
Com o monitoramento das operações agrícolas em tempo real, sabe-se exatamente o momento adequado para recorrer à prática.
● Diversificação de culturas
A disponibilidade controlada de água por meio da irrigação permite a diversificação das culturas de uma região. Isso confere a escolha de plantas mais adequadas aos mercados locais e globais, além de contribuir para a segurança alimentar e a estabilidade econômica.
● Estratégia para superar efeitos da seca
Em períodos de estiagem, a irrigação atua como uma medida de adaptação, pois reduz os impactos adversos nas safras. Logo, reduz perdas significativas na produção agrícola, o que é particularmente importante no mercado de commodities ao evitar oscilações de oferta e demanda significativas.
● Melhor proveito de recursos hídricos
Sistemas modernos de irrigação são projetados para otimizar o uso da água, o que minimiza desperdícios e promove a eficiência hídrica. Em um contexto global de crescente escassez de água, essa é uma medida imprescindível em toda a sociedade.
● Vantagens para produtores e consumidores
A irrigação na agricultura 4.0 contribui para o aumento da produtividade e da qualidade da safra, o que reduz custos e melhora a sustentabilidade no campo. O consumidor, por sua vez, consegue rastrear a cadeia produtiva, tem alimentos de melhor qualidade e sabe que os impactos socioambientais são minimizados na produção.
Mesmo que a irrigação 4.0 ainda não seja viável para todos os produtores, essa é uma tendência em ascensão. Nesse sentido, busca-se cada vez mais a conectividade, com foco na eficiência operacional e preservação do planeta.
hEDGEpoint: gerenciamento de riscos contra variações de preços
Você deve ter notado que a irrigação na agricultura é uma ferramenta crucial para gerenciar riscos relacionados à variabilidade climática. Com ela, pode-se garantir a produção estável de culturas.
Ao fornecer água de maneira controlada e eficiente, a irrigação ajuda a mitigar os impactos de períodos de seca ou chuvas irregulares. Dessa forma, reduz as chances de perdas significativas na produção e permite aos agricultores enfrentar desafios climáticos imprevistos.
A técnica possibilita, também, que os produtores mantenham uma produção consistente ao longo do tempo, o que contribui para a gestão de riscos na agricultura. Em complemento, o gerenciamento de riscos de commodities na agricultura pode ser aprimorado pelo uso de instrumentos de hedge.
O hedge envolve a proteção contra flutuações de preços. Assim, os produtores podem fixar preços futuros para suas safras. A irrigação desempenha um papel vital nesse contexto, pois, ao assegurar uma produção mais previsível, facilita a implementação de ferramentas de hedge mais eficazes.
Assim, a combinação da irrigação como ferramenta de gerenciamento de riscos associados à perda de produtividade agrícola e o hedge como proteção contra riscos de mercado proporciona benefícios. Entre eles, uma abordagem abrangente e sinérgica para enfrentar os desafios complexos enfrentados pelos agricultores.
Quer saber como você pode gerenciar riscos no seu negócio? Entre em contato com um profissional da hEDGEpoint agora!
Onda de frio nos Estados Unidos: entenda os efeitos
O início de 2024 está com a previsão de uma onda de frio nos Estados Unidos, o que incluirá a incidência de nevasca. As baixas temperaturas devem atingir até 50% do país, com uma média de -30°C negativos em algumas regiões.
Essa perspectiva é extremamente essencial para o mercado de commodities a nível local e global. Afinal, a nação estadunidense é um produtor importante, pois fornece alimentos e energia a todo o planeta.
Essa relevância faz com que as alterações climáticas nos EUA tragam volatilidade para os mercados de commodities. Neste conteúdo, você irá compreender todos os detalhes sobre o assunto.
Boa leitura!
O que são as ondas de frio?
As ondas de frio acontecem devido às temperaturas muito mais baixas do que o normal para a estação do ano em questão. São ocasionadas por uma massa de ar frio que se direciona a uma região mais quente.
Em geral, são temporárias (duram apenas algumas semanas), mas há casos de ondas de frio prolongadas e que persistem por semanas. Os principais fatores que contribuem para o seu surgimento incluem:
- Mudanças na circulação atmosférica.
- Avanços de frentes frias.
- Topografia do terreno.
- Correntes marítimas.
A onda de frio costuma provocar vento, neve, geada e chuva em excesso. O fenômeno prejudica consideravelmente a agropecuária, com chance de danificar plantações, o que pode interromper e/ou prejudicar a colheita de grãos, frutas e verduras. Além disso, há o risco de afetar o transporte de produtos agrícolas.
Qual a previsão da onda de frio nos Estados Unidos?
Espera-se uma sucessão de eventos climáticos extremos nos Estados Unidos, devido à onda de frio que chegará em janeiro. Com ela, a formação de vários ciclones causará grandes nevascas, com praticamente toda a área continental do território estadunidense impactada pelo frio excepcional.
Inicialmente, uma tempestade intensa deverá impactar o Centro e o Sul do país, trazendo fortes nevascas e tempestades na costa do Golfo. Existe a previsão de inundações generalizadas no Leste e no Nordeste, acompanhadas de grande tempestade de inverno em Washington e Oregon.
A expectativa é de que, em alguns estados produtores como Iowa, Ohio e Illinois, as mínimas cheguem aos – 30°C. O deslocamento da baixa pressão atmosférica gera instabilidade, o que provocará tempestades severas e generalizadas em estados como Alabama, Flórida, Geórgia, Louisiana e Texas.
O Texas, um importante produtor de carne bovina, também será consideravelmente atingido, com geadas severas que podem prejudicar a recuperação dos pastos. O outono quente e seco na região central dos Estados Unidos fez com que o solo ficasse mais ressecado, o que dificultou as pastagens para o gado.
Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), 65% das pastagens estão ruins ou muito ruins em território texano. Nesse sentido, o pecuarista provavelmente terá custos de produção acentuados, a fim de suprir a alimentação do rebanho com ração, feno e água.
- Leia mais: A influência dos fenômenos climáticos no mercado de commodities
Mercado de commodities: quais os impactos da onda de frio nos Estados Unidos?
Para você compreender os efeitos da onda de frio nos Estados Unidos no mercado de commodities, vamos resgatar um acontecimento relativamente recente.
Em fevereiro de 2021, uma onda de frio histórica assolou o país e deixou mais de 20 mortos. Devido a essa situação, as operações navais e da indústria de óleo e gás foram interrompidas, bem como o fornecimento de energia. Só em Houston, no Texas, 1,3 milhão de moradores ficaram sem luz.
Neste cenário, uma das principais consequências para o mercado de commodities, com repercussão mundial, foi a interrupção estadunidense na produção de petróleo e derivados. Esse é um setor bem forte no Sul dos Estados Unidos, região consideravelmente afetada pela onda de frio.
Cerca de um quinto de todas as refinarias norte-americanas esteve fora de operação. Houve também redução na extração de petróleo e gás natural. O mau tempo também causou o fechamento de portos em Houston e Galveston, o que travou as cadeias de suprimentos tanto local como globalmente.
A produção energética foi prejudicada em um momento de alta demanda no país, devido à necessidade do uso de aquecedores domésticos. Com a queda na oferta e a demanda em alta, os preços da commodity sofrem as consequências.
Leia também:
- A lei da oferta e demanda e a formação de preços
- Temporada de furacões nos EUA e efeitos no mercado de energia
Onda de frio nos Estados Unidos ameaça agricultura
Na onda de frio de 2021, os impactos foram sentidos nas lavouras de trigo no Meio-Oeste norte-americano, pois as baixas temperaturas afetaram o desenvolvimento da cultura. Essas condições adversas levaram os preços do grão a alcançarem suas máximas em apenas uma semana na Bolsa de Chicago. O risco de winterkill permanece para a safra atual.
Lavouras inteiras também podem ficar queimadas pelo gelo, como culturas de milho, cana-de-açúcar e algodão. Tanto a neve quanto a geada têm o risco de degradar a plantação de dentro para fora, afetando a capacidade de fotossíntese e a produtividade da lavoura.
Além disso, a onda de frio costuma pausar embarques de grãos e de gado, o que ameaça o fornecimento para todo o planeta. Consequentemente, há probabilidade de as estradas fecharem, o que interrompe também o fluxo de trabalhadores até os silos ou abatedouros.
Essa é uma situação que precisamos acompanhar de perto neste ano, tendo em vista a provável onda de frio que poderá acentuar a volatilidade de preços das commodities.
Qual a importância do gerenciamento de riscos neste cenário?
Existem diferentes tipos de riscos no mercado de commodities. Entre eles, há os desafios climáticos, como a iminência de uma onda de frio nos Estados Unidos. Não podemos gerenciar os riscos do clima, mas sim a volatilidade de preços das commodities.
Afinal, essas alterações no clima desencadeiam mudanças de oferta e demanda, como foi o caso do petróleo e do trigo na onda de frio de 2021 nos EUA. Em um mercado suscetível a oscilações constantes de valores, torna-se fundamental ter um parceiro que compreenda todos os aspectos capazes de atingir os negócios.
Nesse sentido, a hEDGEpoint conta com um time de inteligência de mercado que estuda profundamente todos os acontecimentos relevantes. Nós analisamos, elaboramos relatórios e geramos insights importantes para contribuir na tomada de decisões.
Aliamos o conhecimento da nossa equipe multidisciplinar com produtos de hedge que permitem fixar o valor da commodity. Assim, a compra ou venda poderá ocorrer em uma data futura, com o preço determinado anteriormente, por meio do uso de derivativos.
Desse modo, se você quer se proteger da volatilidade nos preços, fale com um profissional da hEDGEpoint. Estamos aqui para auxiliar você
Quais são as diferenças entre call e put no mercado de commodities?
Quais as diferenças entre call e put? Essa é uma pergunta realizada até mesmo pelos negociadores mais experientes.
Esses dois termos integram o mercado de opções e ambos são instrumentos financeiros do grupo dos derivativos negociados na bolsa e no mercado de balcão. Através deles, confere-se o direito de comprar ou vender determinado ativo físico ou financeiro.
Assim sendo, uma opção dá ao titular (comprador) o direito de exercê-la, mas não a obrigação. Já o lançador da opção (vendedor) possui a obrigação de cumprir com o exercício caso o titular deseje realizá-lo. Essa é a grande distinção em relação ao mercado futuro e a termo, nos quais o titular é obrigado a comprar ou vender o ativo subjacente.
Quer entender como as opções call e put funcionam na prática? Em seguida, confira:
- O que é call e put.
- Tabela comparativa com as principais diferenças entre elas.
- A importância da gestão de riscos.
Acompanhe a leitura para saber!
O que é a opção do tipo call?
Call são as opções de compra, tipo de derivativos comercializados no mundo todo. É um título que dá o direito ao comprador de comprar certo ativo a um preço pré-determinado (strike), em uma data futura (expiração).
Podem ser realizadas duas operações com essa ferramenta: a compra e a venda de call. Abaixo, explicamos cada uma delas.
1. Compra de call
Vamos começar pensando do ponto de vista do comprador de commodities, como por exemplo, uma indústria de óleo de soja que necessita adquirir soja. As opções call permitem uma proteção efetiva contra possíveis altas dos preços em relação às cotações internacionais da soja.
Ao comprar uma call, o titular garante o direito de comprar a soja a um preço pré-determinado, denominado “strike”. Caso a cotação da soja seja maior do que o strike no momento da expiração da opção, o seu titular pode exercê-la e garantir a compra no strike da sua opção. Ou seja, a um nível menor do que a cotação atual.
Dessa maneira, a compra de call possibilita a proteção e a obtenção de lucro em contextos em que há alta do preço do ativo subjacente. Outra vantagem da compra de call é que não há necessidade de depósitos de margem. Paga-se no início da operação somente o prêmio, referente ao preço da compra da opção.
A compra de uma opção call permite o ajuste financeiro positivo para o seu detentor conforme a cotação do ativo subjacente aumenta. Isso acontece porque se parte da ideia de que o exercício irá ocorrer no preço estipulado anteriormente.
Para auferir o lucro na expiração da opção em um cenário no qual o ativo se valoriza, basta que o titular exerça a opção. Ele estará comprando o ativo subjacente a um preço mais barato, estabelecido no contrato da opção. Assim, pode-se vender o ativo pelo preço mais caro praticado no mercado.
Caso o ativo desvalorize até a expiração da opção, não faz sentido exercê-la pelo preço definido na opção, mas sim comprar o ativo pelo preço de mercado (mais baixo). Nesta situação, a opção não é exercida, e o detentor perde o valor que pagou pelo seu prêmio.
2. Venda de call
Negociadores que vendem call têm a perspectiva de que, no vencimento, o ativo se desvalorize o suficiente para que o preço esteja abaixo do valor de exercício.
Com isso, a opção perde valor, já que para o seu comprador não faz sentido exercê-la. Neste caso, o vendedor irá auferir o lucro máximo da operação que é dado pelo prêmio. Se o ativo se valorizar no momento do vencimento, o vendedor da call terá de vender o ativo pelo preço de exercício.
É comum que, em situações de tendência de baixa de ativos, traders e especuladores executam a venda de opções de compra. Dessa forma, eles buscam obter como lucro no vencimento o prêmio pago recebido na venda das calls.
Leia também:
- Entenda o que é barter no mercado de commodities
- Basis aplicado no hedge: entenda estratégias e riscos
E o que as opções put significam?
Put são as opções de venda. Em outras palavras, é o título que dá ao seu comprador o direito de vender algum ativo a um preço pré-determinado, em uma data futura. Assim como nas opções de compra, é possível comprar ou vender put. Abaixo, explicamos cada uma delas.
1. Compra de put
Vamos agora pensar no ponto de vista de um vendedor de commodities, como um produtor agrícola. Ao utilizar esse derivativo, ele consegue proteger o valor da sua mercadoria contra possíveis quedas nas cotações internacionais.
Ao comprar uma put, o titular garante o direito de vender o ativo subjacente a um preço pré-determinado (strike). Caso a cotação desse ativo seja menor do que o strike no momento da expiração da opção, o seu titular pode exercê-la. Assim, garante a venda no strike da sua opção, ou seja, a um nível maior do que a cotação atual.
Dessa maneira, ele pode obter lucro em cenários de queda do preço do ativo. Assim como na call, nas opções put, não há necessidade do depósito de margem. Paga-se também somente o prêmio da opção.
Ao comprar uma put, o negociador ganha o direito de venda do ativo objeto no futuro. Logo, permite-se um ajuste financeiro positivo à medida que a cotação do ativo diminui. Importante: deve-se sempre ter em mente que a venda ocorrerá no preço de exercício estabelecido.
Por outro lado, se o ativo valorizar, não faz sentido para o detentor da put vender pelo preço estabelecido na opção, mas sim pelo valor de mercado que agora está mais alto que seu strike. Nesta situação, a opção não é exercida e perde seu valor. O produtor, então, perde o valor pago no prêmio.
2. Venda de put
Negociadores que vendem uma put sempre têm a visão de que, no vencimento, o ativo irá valorizar o suficiente a ponto de não ser atrativo para os compradores exercerem as puts.
Neste caso, o vendedor irá auferir o lucro máximo da operação, que é o prêmio no qual recebeu na venda da opção no início da operação. Mas, se o ativo se desvalorizar no vencimento, o vendedor terá a obrigação de comprá-lo pelo preço de exercício.
- Leia também: O que é spread no mercado de commodities?
Tabela comparativa: diferenças entre call e put
Para que você entenda perfeitamente as diferenças entre call e put, nós elaboramos uma tabela que resume os principais pontos. Confira:
Call e put: instrumentos de gestão de riscos para os negócios
Entender as diferenças entre call e put é essencial para a gestão de riscos no mercado de commodities. Assim, é possível proteger preços da volatilidade, o que contribui para a tomada de decisões.
A hEDGEpoint atua com conhecimento de todos os instrumentos de hedge em commodities. Aliamos tecnologia, insights e análises de dados para aplicar as ferramentas de gestão de risco.
Na nossa plataforma exclusiva, você encontra cursos do básico ao avançado para entender detalhadamente sobre esses instrumentos.
Acesse o hEDGEpoint HUB para saber mais!
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